Embora tenha mantido a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai anunciar amanhã um corte de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, o mercado financeiro aumentou a previsão de redução do juro em 2009. Para os analistas, a Selic deve cair 2,5 pontos porcentuais até o fim do ano, ante previsão anterior de 2 pontos.

Com isso, a taxa iria para 11,25% ao ano até dezembro. Os dados são da pesquisa Focus, divulgada semanalmente pelo Banco Central.

Mais otimista, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse ao Estado que a queda da inflação e a desaceleração econômica devem levar a taxa básica para o nível de um dígito "talvez no fim deste ano, certamente no início do ano que vem". Barbosa já trabalha com um cenário de inflação no centro da meta ou até abaixo em 2009.

O mercado indica que compartilha dessa avaliação. Na pesquisa Focus, foi reduzida a previsão para o IPCA em 2009 de 5% para 4,8%, aproximando-se do centro da meta. Sobre o ritmo da economia, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2%, bem abaixo da expectativa de expansão de 5,5% esperada para 2008. O número do ano passado só será divulgado pelo IBGE em março.

O enfraquecimento da economia tem reforçado as pressões sobre o BC para que reduza os juros de forma mais rápida. Ontem, o presidente do BC, Henrique Meirelles, aproveitou um evento para rebater críticas e defender a estratégia adotada pela instituição. "O BC foi bem-sucedido em manter a inflação nos limites por cinco anos consecutivos."

Em cerimônia para comemorar a primeira década de câmbio flutuante no Brasil, Meirelles não deu pistas sobre a decisão que será tomada amanhã pelo Copom. Mas usou o discurso para responder aos críticos da política monetária, considerada conservadora por alguns economistas.

"No ano passado, quando as pressões inflacionárias globais foram substanciais, pelo menos até o 3º trimestre, o BC do Brasil foi uma das poucas autoridades monetárias a cumprir sua meta de inflação, a despeito de a atividade econômica ter se mantido vigorosa até o 3º trimestre."

Meirelles não citou no discurso, mas a autoridade monetária subiu o juro de abril a setembro do ano passado para manter a inflação dentro da meta. Em 2008, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,90%, acima do centro da meta de 4,5%, mas inferior ao teto de 6,5%.

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