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Os dados mais recentes sobre a produção industrial e o setor automotivo diminuíram o ânimo do mercado financeiro com o desempenho da economia brasileira em 2009. Após a divulgação de números piores que o previsto na semana passada, analistas reduziram a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano de 2,40% para 2%.

A expectativa publicada na pesquisa semanal Focus, feita pelo Banco Central, é bem inferior à prevista pelo governo, de expansão de 4%, e da própria autoridade monetária, de 3,20%.

Se confirmado, o cenário desenhado pelos analistas indica que o ritmo de crescimento do Brasil deve cair pela metade. Para 2008, o mercado espera que o PIB cresça 5,60%. A divulgação dos números relativos ao ano passado será feita em março pelo IBGE.

Em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os economistas que fizeram essa previsão "vão errar". "O problema é que o mundo desenvolvido está discutindo a recessão e nós estamos discutindo se vamos crescer 4%, 3%, 2% ou 5%", disse, ao reafirmar que o Brasil que pode crescer até 4% no ano.

O mercado financeiro, no entanto, não está tão otimista. "A expectativa de um PIB pior reflete a produção industrial e de veículos que vieram fracos e abaixo das expectativas. Hoje, não há dúvidas quanto à desaceleração da atividade no último trimestre de 2008, fato que vai gerar consequências em todo o ano de 2009", diz a economista Marcela Prada, da Tendências Consultoria.

Com a economia fraca, o mercado reforçou a previsão de que o juro deve cair. Para os analistas, a taxa Selic deve ser cortada em 2 pontos durante o ano, o que levaria o juro para 11,75%. Até a semana passada, a previsão era de redução de 1,75 ponto. Para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que acontece na semana que vem, foi mantida aposta de corte de 0,50 ponto no juro.

A previsão de desaperto monetário também ganha força porque a inflação não dá nenhum sinal de que deve voltar a subir com força. Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2009, analistas mantiveram a previsão de alta de 5%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo