Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Mercado: Bovespa subiu 14,66% e dólar cedeu 7,3% em dia de recuperação

SÃO PAULO - As medidas de injeção de capital nos mercados e nos bancos das principais economias do mundo garantiram uma forte recuperação nas bolsas do mundo todo, inclusive na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Como contrapartida pela redução da aversão a risco e iniciativas de liquidez do Banco Central (BC), o dólar também apontou forte queda.

Valor Online |

As decisões tomadas ao longo do fim de semana por países desenvolvidos levaram os investidores a considerarem que o pior da crise pode ter sido superado na semana passada. Assim, o Ibovespa conseguiu aumentar 14,66%, maior variação desde 15 de janeiro de 1999, compensando parte da perda de 20% acumulada na última semana. O índice fechou aos 40.829 pontos, na máxima do dia, com giro financeiro de R$ 5,247 bilhões.

No segmento cambial, o dólar encerrou com queda 7,30%, cotado a R$ 2,143 para a compra e R$ 2,1450 para a venda, na mínima do dia. O giro interbancário chegou a US$ 1,337 bilhão. Na roda de dólar " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda caiu 7,91%, valendo R$ 2,141, com giro financeiro de US$ 227,50 milhões.

A resposta dos governos de países desenvolvidos foi considerada bastante forte pelos mercados, suficiente para promover uma recuperação das bolsas no mundo todo. Na Europa e nos Estados Unidos, a valorização superou 11% em alguns dos principais índices acionários. Isso deu estímulo suficiente para que a bolsa paulista mostrasse ganhos ainda maiores, já que vinha também apontando perdas superiores às verificadas lá fora.

As propostas discutidas por líderes em encontros do G-7, G-20, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial resultaram em novas medidas de proteção aos bancos e de liquidez financeira, entre elas a ação coordenada na zona do euro para garantir créditos interbancários até 31 de dezembro de 2009. Somam-se a isso o compromisso de evitar a quebra de outras instituições financeiras com recapitalização.

Os agentes chamam atenção para o fato de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central Europeu (BCE) e outros três grandes bancos centrais se comprometeram a garantir liquidez em dólar, na quantidade que for necessária. Também valeu nota o fato de o governo inglês informar desembolso de US$ 63 bilhões para recapitalizar os bancos RBS, HBOS e Lloyds TSB.

Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW Corretora, afirma que é possível que os mercados continuem ajustando as distorções ao longo dos próximos dias, mas a volatilidade ainda deve persistir. A questão a ser analisada agora pelo mercado é o tamanho do estrago causado pela crise financeira nas principais economias do mundo.

Adicionalmente, o Banco Central brasileiro também tomou algumas iniciativas para dar mais liquidez ao setor bancário, o que colaborou para o dólar a cair perante o real. A autoridade monetária disse que pretende liberar até R$ 100 bilhões em liquidez adicional aos bancos. Entre as medidas que já foram detalhadas, está a possibilidade de os bancos usarem R$ 20 bilhões para comprar dólares do BC em leilões de linha, em que ocorre venda de moeda com compromisso de recompra.

Mario Battistel considera que a iniciativa do BC é importante, mas lembra que as empresas precisam de linhas externas para exportação, o que dependeria de outras medidas por parte da autoridade monetária. Segundo ele, o maior efeito para o recuo do preço da moeda no mercado local veio da percepção de que os governos de países desenvolvidos atuaram dentro das expectativas para buscarem solução para a crise.

Tamanha foi a correção da cotação da moeda que o BC não precisou atuar na ponta de venda no mercado à vista. Ainda assim, a autoridade monetária cumpriu o leilão de swap cambial e colocou contratos no valor de US$ 494,5 milhões. Depois da operação, a moeda ficou travada em queda de pouco mais de 6%.

Embora o mercado à vista não tenha limite de oscilação, na BM & F, os contratos futuros de dólar com vencimento em novembro estavam limitados a 6% de queda ou de aumento, o que influencia também as variações à vista, ainda que indiretamente. Às 16h30, quando o pregão já estava praticamente encerrado, a BM & F elevou o limite dos contratos futuros para 8%, o que permitiu que a moeda no mercado à vista aprofundasse um pouco mais a desvalorização.

A influência positiva da recuperação dos ativos internacionais deu forte contribuição também para a redução das taxas dos contratos longos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) na BM & F. O contrato com vencimento em janeiro de 2010 caiu 0,36 ponto percentual, a 14,63% ao ano.

Entre os contratos curtos, o vencimento para novembro foi o único contrato líquido a fechar com alta, de 0,04 ponto percentual, para 13,7% ao ano. Segundo Alexandre Horstamnn, diretor de gestão da Meta Asset Management, os vencimentos de curto prazo devem apontar mais volatilidade conforme se aproxima a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). As apostas para a definição do juro ainda não são uniformes e há quem pondere a necessidade de interrupção do aperto monetário e aqueles que afirmem que é preciso continuar o processo de alta da Selic.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG