SÃO PAULO - A quinta-feira encerrou de forma positiva para os mercados brasileiros e o que ditou o rumo dos negócios foi o bom desempenho da economia dos Estados Unidos durante o segundo trimestre.

A segunda revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA mostrou crescimento de 3,3% contra os 1,9% previamente divulgado. O resultado também superou as expectativas, que apontavam para avanço de 2,7%.

As commodities, que começaram o dia em alta, mudaram de direção, com os investidores passando a comprar dólares. O preço do petróleo também recuou depois que foi anunciado um aumento nas reservas de gás natural. No entanto, segue a preocupação com o furacão Gustav próximo do Golfo do México.

Em Wall Street, dados econômicos e a queda no preço do petróleo estimularam as compras. Com isso, o Dow Jones fechou com elevação de 1,85% e o Nasdaq ganhou 1,22%.

O destaque ficou com o setor financeiro, que subiu forte seguindo a divulgação de algumas notícias positivas. O papel da seguradora de crédito MBIA disparou 34% depois que saíram indicações de que a companhia conseguiu ressegurar US$ 184 bilhões em títulos municipais.

As financeiras hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae também tiveram forte avanço. Analistas do Lehman Bros disseram que a posição de capital das companhias, provavelmente, não é tão ruim como o mercado pensa.

Por aqui, a bolsa sentiu a baixa no preço das commodities, mas isso não foi fator determinante. O bom desempenho dos bancos e das siderúrgicas aliado a valorização, mesmo que marginal, das ações da Petrobras e Vale levou o Ibovespa para cima dos 56 mil pontos, patamar não alcançado desde 8 de agosto.

O índice fechou o dia valendo 56.382 pontos, alta de 1,55% sobre o fechamento da quarta-feira. O giro também subiu, batendo R$ 4,29 bilhões. Apesar da valorização, o índice ainda acumula perda no mês, de 5,24%.

A formação da taxa de câmbio seguiu o sinal externo, onde o dólar também subiu ante o euro conforme as matérias-primas apontaram para baixo.

Depois de cair a R$ 1,618 durante a manhã, as compras ganharam força e o dólar comercial fechou a R$ R$ 1,630 na compra e R$ 1,632 na venda, valorização de 0,61%. No mês, a moeda acumula elevação de 4,41%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda apresentou alta de 0,72%, encerrando a R$ 1,6322. O volume financeiro somou US$ 146 milhões, cerca de três vezes menor do que o registrado na quarta-feira. O giro interbancário foi forte, mais de US$ 4,4 bilhões.

Os juros futuros, que seguem engessados pela estratégia de política monetária bem comunicada - leia-se alta de juros até o fim do ano, no mínimo - oscilaram conforme o preço das matérias-primas, registrando aumento pela manhã e declínio durante à tarde.

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava baixa de 0,01 ponto, a 14,68% ao ano. O vencimento janeiro 2011 perdeu 0,04 ponto, a 14,22%. E janeiro 2012 também desvalorizou 0,04 ponto, para 13,86%.

Entre os curtos, o vencimento para setembro de 2008 avançou 0,02 ponto, para 12,87%. Outubro de 2008 subiu 0,01 ponto, para 13,27%. Novembro de 2008 encerrou a 13,48%, com acréscimo de 0,04 ponto. E o DI para janeiro de 2009 fechou estável a 13,90% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 377.430 contratos, equivalentes a R$ 30,48 bilhões (US$ 18,80 bilhões), montante 20% menor do que o movimentado um dia antes. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 195.930 contratos, equivalente a R$ 16,29 bilhões (US$ 10,05 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.