Tamanho do texto

Por Renato Andrade SÃO PAULO (Reuters) - Inflação dentro da meta e crescimento acima de 5 por cento. Este é o cenário traçado pelo mercado financeiro brasileiro para a economia do país em 2008, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira.

O quadro de 2009 também é positivo, apesar de uma taxa de expansão menos robusta para a economia no próximo ano.

De acordo com levantamento feito pelo Banco Central com empresas e analistas do país, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer em 2008 a uma taxa de 5,17 por cento, acima dos 5,01 por cento estimados na pesquisa passada.

Ao mesmo tempo, a inflação 'oficial' --medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)-- deve ficar em 6,23 por cento, levemente abaixo dos 6,26 por cento estimados na pesquisa anterior.

Essa foi a oitava semana que o mercado reduziu sua estimativa para o IPCA de 2008.

Para 2009, entretanto, a projeção de crescimento da economia manteve-se em 3,60 por cento. Para a inflação, a projeção é de uma alta de 4,97 por cento no próximo ano, levemente abaixo dos 4,99 por cento estimados no levantamento passado.

A meta de inflação definida pelo governo para os anos de 2008, 2009 e 2010 é de 4,5 por cento, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Em termos de crescimento, o governo não tem uma meta, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aposta que a economia do país possa crescer entre 5 e 5,5 por cento neste ano, e ter um desempenho mais moderado --crescendo a 4,5 por cento-- em 2009.

O cenário de juros também continua praticamente o mesmo. Os cálculos do mercado apontam para uma taxa básica de juro de 14,75 por cento ao final do ano, o que representaria uma elevação de 1 ponto percentual em relação ao atual patamar da Selic.

Para 2009, entretanto, a projeção estabelecida pelo mercado na pesquisa ficou quebrada, apontando uma taxa de 13,79 por cento em dezembro do próximo ano. Até semana passada, a estimativa era de uma Selic a 13,75 por cento no fim de 2009, o que representava uma queda de 1 ponto percentual em relação ao patamar projetado para dezembro de 2008.

Analistas acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir, a partir de outubro, o ritmo de elevação da taxa básica de juro do país.

A aposta foi reforçada na semana passada, com a divulgação da ata do último encontro do comitê, realizado em setembro. Na reunião, os diretores do BC decidiram por 5 votos a três elevar a Selic em 0,75 ponto percentual, para 13,75 por cento. Os três diretores dissidentes defenderam um aumento mais moderado da taxa, de 0,50 ponto percentual.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.