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Mercado ainda ignora risco das eleições, avalia Merrill Lynch

SÃO PAULO - Por hora, as eleições ainda não somaram volatilidade à economia brasileira. Tal percepção é obtida por meio de um estudo do Bank of America Merrill Lynch, que teve como base o comportamento da taxa de câmbio.

Valor Online |

"Surpreendentemente, a volatilidade doméstica atual é substancialmente menor que em 2006, quando o presidente Lula era um claro favorito à reeleição", disse o banco em relatório.

O que chama atenção do banco é que, por mais que a transição atual venha a ser tão suave quanto o esperado, não é possível conceber que o período seja tão tranquilo quanto se não houvesse mudança alguma.

Partindo de tal premissa, o banco acredita que o investidor não está sendo compensado pelo risco eleitoral. Por outro lado, o momento atual representa uma boa oportunidade para o agente fazer operação de hedge (proteção), principalmente se ele já tiver exposto a ativos brasileiros.

Na visão do banco, as eleições presidenciais devem ser bastante competitivas, possivelmente mais do que a reeleição de Lula em 2006. "E, como vimos antes, aquela campanha já foi turbulenta o suficiente para promover uma puxada de alta na volatilidade do mercado."
Observando os dois principais concorrentes ao cargo de Lula, o Merrill Lynch nota que a percepção de risco para José Serra e Dilma Rousseff é bastante distinta.

Segundo o banco, Serra é tido com um crítico do Banco Central, o que levanta dúvidas sobre o nível de independência da autoridade monetária e sobre a política de intervenção no câmbio.

Por outro lado, as credenciais fiscais dele são fortes, em função do seu desempenho à frente do governo do Estado de São Paulo.

Já as expectativas que recaem sobre Dilma são de que a política monetária não será alterada e que independência operacional do BC deve permanecer intacta. O ponto fraco, no entanto, é de natureza fiscal.

Para realizar a medição de volatilidade, o banco partiu do principio de que a taxa de câmbio é algo que rapidamente sintetiza uma grande variedade de fatores de riscos de um país. Dito isso, a volatilidade do câmbio se apresenta como um agregado natural para medir o risco econômico de um país.

Considerando o comportamento da relação Dólar/Real o banco encontrou uma forte correlação com o mercado externo, tomando como base o comportamento de uma cesta de moedas emergentes.

Para chegar apenas a porção de risco doméstico embutida na volatilidade da taxa de câmbio, o banco descontou a correção com a cesta externa e obteve uma volatilidade residual.

Analisando essa nova medida, o banco identificou os períodos de maior volatilidade do câmbio em decorrência de eventos domésticos. O maior pico na serie estudada, que vai de janeiro de 2005 a janeiro de 2010, está relacionado com a crise dos derivativos financeiros que derrubou grandes empresas em 2008.

Os outros dois grandes saltos de volatilidade aconteceram em decorrência de eventos políticos. O primeiro em 2005, marca a erupção do escândalo do mensalão, que acabou gerando a queda de Antonio Palocci, então ministro da Fazenda. E o segundo pico está, justamente, no período pré-eleitoral de 2006.

(Eduardo Campos | Valor)

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