A crise financeira internacional coloca novos desafios ao setor de petróleo, que no Brasil já tinha diversos obstáculos a ultrapassar após as descobertas do pré-sal. A avaliação é do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que participou hoje de reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre a viabilidade econômica das reservas localizadas abaixo da camada de sal.

"Há limitações do ponto de vista de financiamento", afirmou.

O presidente do Conselho de Infra-estrutura da Fiesp (Coinfra), Fernando Xavier Ferreira, disse, também após a reunião, que as indústrias com a atuação no setor, assim como as demais, tendem a ser mais "cuidadosas" nas decisões de investimento daqui para frente, à espera de um cenário mais estável da economia mundial.

Durante o encontro, Mercadante voltou a defender o controle da exploração por parte do governo, a adoção de um modelo misto de exploração, com a possibilidade de seguir o modelo de partilha no pré-sal, e a revisão da distribuição de royalties. Ele disse que os estudos da comissão interministerial criada para debater o tema "estão bastante avançados", mas acrescentou que o governo ainda não tomou uma decisão. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmaram, há algumas semanas, que o novo modelo deveria ser anunciado após as eleições municipais.

"O presidente vai definir a proposta que será apresentada ao Congresso e à sociedade, e acho que o fará brevemente. Mas é evidente que com esse cenário externo a prioridade agora é combater a crise", afirmou.

Apesar das críticas sobre a demora na apresentação do novo modelo de exploração, demora essa que geraria um ambiente de incerteza no setor, Mercadante garantiu que o debate não atrasa o trabalho de exploração.

"As empresas continuam trabalhando, os investimentos no pré-sal estão em curso. A Petrobras acabou de anunciar novas descobertas e a Exxon avisou que vai perfurar o B-MS-22. O piloto de Tupi, que é fundamental para a exploração de toda a região do pré-sal, também está em andamento. Portanto, esse debate não traz e não trouxe nenhum prejuízo ao cronograma de investimentos", disse.

Preço

Quanto à forte queda do preço do petróleo - outra conseqüência da crise financeira global, que já levanta previsões de recessão em alguns países desenvolvidos -, Mercadante afirmou que ela não prejudica o trabalho de prospecção. "Há muito a fazer antes de produzir", declarou, lembrando que os projetos do pré-sal são de longo prazo. "O pré-sal não é uma coisa para amanhã. E amanhã o preço do petróleo pode estar diferente. E quando digo amanhã, é amanhã mesmo." Nesta tarde, o petróleo leve negociado na Bolsa Mercantil de Nova York valia US$ 72,70, em alta de 4% sobre a cotação de ontem.

"Nenhum preço, neste momento, é um preço que está ancorado nos fundamentos macroeconômicos e na demanda. Estão muito voláteis, como é característico de uma crise financeira de grandes proporções", afirmou.

Mercadante lembrou que, nos últimos 15 anos, a oferta mundial de petróleo cresceu apenas 15,7% e que a demanda pela matéria-prima, mesmo neste cenário de crise, continua crescendo, impulsionada pela China. "O petróleo vai se valorizar mais para frente", garantiu.

"As descobertas do pré-sal são as mais importantes dos últimos 30 anos e isso não vai mudar. Não há um substituto ainda do petróleo competitivo e universal na economia mundial", afirmou.

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