Mensalidades sobem mais que a inflação e pais contestam

Em São Paulo, pais começam a se unir, mas sindicato afirma que altas são justificáveis; no Rio, inadimplência chega a 25%

Olívia Alonso, iG São Paulo | 07/12/2011 18:20

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Os aumentos das mensalidades escolares estão provocando a movimentação de pais de alunos de colégios de São Paulo. Considerados abusivos por muitos dos pagantes, as altas superam a inflação - em torno de 7% - e, em alguns casos, chegam a encostar nos 20%.

"Percebemos que muitos pais estavam insatisfeitos e decidimos nos juntar para discutir o assunto. Vimos que em outras escolas da cidade está acontecendo o mesmo porque os valores estão muito altos," diz uma mãe, cujos filhos são alunos da Escola Nossa Senhora das Graças, da capital paulista. Segundo ela, o aumento proposto pelo colégio foi de cerca de 10%.

Veja também: Mensalidade em escolas privadas de SP sobe acima da inflação

Sindicato de escolas particulares do Rio diz que inadimplência mensal chega a 25%

Pais de alunos da escola Santa Cruz, na capital paulista, também estão insatisfeitos. Após receberem boletos com os valores referentes a 2012, que chegam a ser 20% superiores aos cobrados neste ano, resolveram se unir a outros pais para discutir o assunto.

No Colégio Visconde de Porto Seguro, os pais já partiram para a ação. Insatisfeitos com os aumentos, se manifestaram publicamente e agora os valores estão sendo investigados pelo Ministério Público de São Paulo. A alta proposta para o ano que vem é de 15,9%, segundo o site da escola. Frédéric Armand, que tem filhos estudando no colégio, diz que no seu caso o aumento chega a 23%.

"O problema é maior do que o colégio Porto Seguro, é uma questão nacional. Não existe lei nacional sobre o controle de educação privada, como existe na saúde. Eu acho que deveria haver um projeto de lei para isso e estou atrás disso," afirma Armand. Procurados pelo iG, os colégios ainda não se manifestaram.

No colégio Santa Clara, o aumento é de 9,6%, em média. Segundo a Tesouraria da escola, a alta acompanha a planilha de custos do colégio.

Enquanto muitos pagantes consideram os valores exagerados, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieesp) afirma que os aumentos são justos pois são calculados tomando por base a inflação e os custos dos colégios.

“O aumento dos salários dos funcionários para o ano que vem, que ainda não ocorreu, normalmente supera a inflação. O aumento do aluguel também supera,” afirma José Augusto Lourenço, vice-presidente do Sieesp. Segundo ele, cerca de 70% das receitas das escolas são vai para o pagamento do quadro de funcionários.

Além disso, ele afirma que as escolas estão considerando que 2012 será um ano difícil e que já estão considerando que os custos podem ser maiores em seus cálculos. “O problema maior é a gente não ter noção do que vai acontecer no ano que vem. O setor de ensino é o único setor que tem que apresentar seus custos antes do ano começar. Mesmo fazendo planilha de custos, não podemos arriscar errar, porque se houver mudanças, a escola não terá ninguem para pagar a diferença de seus gastos,” afirma.

No Rio de Janeiro, o Sindicato das Escolas Particulares da Educação Básica do Município do Rio de Janeiro (SinepeRio) diz que para 2012 é esperado um reajuste entre 8% e 12% e que o problema maior das escolas é a inadimplência, que chega a 25%.
 

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