Uma das saídas da União Europeia para superar a crise passa pela abertura comercial, diz representante do comércio da Espanha

Uma das saídas da União Europeia para superar a crise passa pela abertura comercial, com a necessidade de ser mais flexível nas negociações de comércio exterior. Os países europeus assumiram uma postura menos protecionista desde o começo da crise, segundo Ángel Martín Acebes, vice-presidente do Instituto de Comércio Exterior da Espanha. Um acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, portanto, tende a ser mais fácil na próxima rodada de negociações, prevista para junho.

"A Europa não tem tido tendência protecionista por causa da crise. Este é o grande desafio: integrar-se de maneira competitiva no mercado global", afirmou Acebes, durante o 3º Foro Brasil União Europeia - Motivos da relação Estratégica, no Rio. Segundo ele, a UE tem forte interesse em negociar com o Brasil.

O Brasil, por sua vez, não deve ceder a pressões da União Europeia para a abertura ilimitada do Mercosul a importações de manufaturados.

O assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, conselheiro de Lula para comércio exterior, disse que "os europeus devem moderar seu apetite no terreno industrial". Diferentemente do Brasil e da Argentina, países como Colômbia e Peru, segundo ele, possuem parques industriais muito menores e mais frágeis, vulneráveis a importações.

Garcia disse que o Mercosul levará para a mesa de negociações, no próximo mês, uma posição mais 'homogênea' entre os países-membros. A UE estaria mais dividida, com países mais favoráveis a abertura agrícola e outros mais fechados, receosos da entrada dos produtos sul-americanos.

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