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Menos preocupado com inflação, Copom sinaliza mais cortes de juros

SÃO PAULO - A sensível queda no nível de atividade, a melhora da inflação corrente, o comportamento deflacionista dos preços do atacado e a redução das perspectivas de inflação do mercado justificaram o corte de 1 ponto percentual na taxa básica de juros na semana passada, para 12,75% ao ano. A análise consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), realizada nos últimos dias 20 e 21 de janeiro. E a perspectiva é de novas reduções na Selic, já que os modelos do BC indicam, no cenário de referência, inflação abaixo do centro da meta em 2009 e sensivelmente menor que os 4,5% em 2010.

Valor Online |

 

O cenário de referência considera a Selic a 13,75% ao ano e o dólar a R$ 2,35. Já no cenário de mercado, com projeção de taxa básica em 11,25% em dezembro deste ano e dólar a R$ 2,30, o modelo do BC indicava inflação ao redor do centro da meta tanto para 2009 como para 2010.

Ainda que o BC deva continuar o processo de redução dos juros, ele não deixou seu conservadorismo característico de lado. "A política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas, a despeito de haver margem para um processo de flexibilização", diz a ata.

De acordo com o Copom, existem vários fatores que devem contribuir para uma "pressão desinflacionária importante", entre os quais está a perda de dinamismo da demanda doméstica e a piora nas condições de oferta de crédito, que vinha puxando o consumo nos últimos trimestres. "Há sinais de que, depois de um longo período de expansão, a demanda doméstica teria passado a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica, a despeito da persistência de fatores de estímulo, como o crescimento da renda", afirma o documento.

Os diretores do Banco Central (BC) ressaltam ainda que o pico do processo inflacionário observado recentemente ocorreu em setembro e que diminui a "probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação". "O conjunto das informações disponíveis sugere que o ciclo inflacionário observado nos últimos trimestres tende a ser superado, gradativamente", disse o BC, lembrando que a inflação do quarto trimestre de 2008 foi de 1,09%, ante 1,43% de igual período de 2007. O Copom destacou ainda que os núcleos mostram comportamento mais benigno e que o índice de difusão do IPCA recuou em dezembro.

Do lado negativo, impedindo uma queda ainda maior da taxa de juros, o Copom cita as regras que acabam determinando o comportamento dos preços administrados, que tem peso próximo de 30% no IPCA. De acordo com o BC, esses "mecanismos de reajuste de preços contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no ano passado".

Os três membros do colegiado - do total de oito - que queriam um corte menor da Selic na última reunião mencionaram ainda, além dos preços administrados, a preocupação com o efeito da alta do dólar sobre os preços.

"Diante da presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia e das consequências do processo de ajuste do balanço de pagamentos, uma redução mais comedida da taxa básica de juros proporcionaria sinalização mais consistente com a tendência prospectiva de convergência da inflação para a trajetória de metas e corresponderia melhor à velocidade ótima de implementação do processo de flexibilização", avaliaram esses diretores do BC, que foram voto vencido na reunião da semana passada.

Outro ponto de preocupação se refere às commodities agrícolas como milho, soja e trigo, cujos preços "registraram elevação substancial desde a última reunião do Copom".

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