Paranatinga, MT, 10 - A produtividade da safra de soja na região leste de Mato Grosso está abaixo do esperado para o Estado. Tradicionalmente, são colhidas anualmente cerca de 55 sacas por hectare, mas as amostras coletadas até o momento pela equipe da expedição Rally da Safra 2009 identificou lavouras produzindo, em média 50 sacas, alcançando em algumas situações 55 sacas.

Segundo o gerente de projetos da Agroconsult, Cléber Vieira, a queda no rendimento das lavouras de soja já era esperada para esta safra por conta da falta de recursos disponíveis no momento do plantio e pelo aumento dos preços dos insumos no primeiro semestre do ano passado. "Mesmo quem tinha recursos para aplicar na lavoura fez de forma proporcional ao aumento dos preços dos insumos", afirma.

A redução no uso de tecnologia foi tão acentuada que, em algumas situações, foi possível identificar lavouras nas quais os agricultores não fizeram qualquer tipo de aplicação de fertilizantes, nem de defensivos. Nesses casos, a produtividade estimada é de 38 sacas por hectare, volume que não cobre o custo médio de produção previsto para o Estado que está entre 40 e 42 sacas de soja, segundo estimativas da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja). "Nesses dois primeiros dias de rally encontramos muita infestação de pragas nas lavoura, como insetos e plantas daninhas, além de um elevado grau de incidência de ferrugem", afirma Vieira.

De acordo com Rodrigo Fenner, supervisor de campo da Aprosoja, responsável pela região leste do Estado, os agricultores fizeram até quatro aplicações de ferrugem nesta safra, mas, mesmo assim, a incidência da doença está em um grau bastante elevado. "Tivemos um efeito do veranico que atingiu soja precoce, mas quando começou a chover a incidência de ferrugem na soja de ciclo médio foi bastante elevada", afirma.

A região leste de Mato Grosso plantou na safra 2008/09 cerca de 530 mil hectares com soja, o que representa quase 10% de toda a área do Estado, que plantou 5,6 milhões de hectares com soja. A região também chama atenção pela dificuldade logística, por estar longe dos portos e ter um dos fretes mais caros do Estado.

Além dos produtores que não aplicaram qualquer tipo de tecnologia, existem aqueles que aproveitaram a reserva de fertilizantes que existia no solo. Esse é o caso dos produtores que plantaram nesta safra soja em áreas destinadas para algodão no ano passado. Mesmo assim, esses agricultores esperam queda na produtividade. "Nesses casos vimos um número de vagens por planta interessante, que nos dava uma impressão visual de 55 sacas por hectare. O problema é que os grãos estão leves e as perdas poderão chegar a cerca de 10% depois que o produtor colher", disse Vieira.

Apesar de alguns agricultores simplesmente não terem aplicado qualquer tipo de tecnologia, esse grupo pode ter uma renda superior a aqueles que fizeram uma aplicação mínima. "A decisão de não usar fertilizante não foi errada. A economia obtida na não utilização de insumo é maior do que a perda na receita que será observada na comercialização da soja", afirma Vieira. Na prática, quem colher 45 sacas por hectare sem usar tecnologia terá uma receita maior daquele que usou o mínimo necessário e irá colher 50 sacas por hectare.

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