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Indicado para substituir Mário Torós na diretoria de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Luiz Mendes conhece bem o negócio bancário. Como vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil (BB), Mendes foi responsável pelas negociações de compra e incorporação do Votorantim, da Nossa Caixa, do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e do Banco do Estado do Piauí (BEP).

Quando, em abril, o então presidente do Banco do Brasil Antonio Francisco de Lima Neto foi substituído por Aldemir Bendine, Aldo Mendes foi mantido na vice-presidência de Finanças. Lima Neto foi afastado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não concordava com a resistência da presidência do banco em reduzir os juros dos empréstimos oferecidos pela instituição.

Logo após assumir a presidência do BB, no lugar de Lima Neto, Bendine anunciou a troca no comando de seis vice-presidências. Mendes foi um dos poucos executivos da vice-presidência do banco que permaneceram no cargo.

Mendes saiu do banco em junho deste ano para presidir a Companhia de Seguros Aliança do Brasil e há algum tempo negociava sua ida para o Banco Central, em conversas com o presidente do BC, Henrique Meirelles.

Ontem, assessores do ministro da Fazenda comentavam que o substituto de Torós era "uma pessoa muito boa". Ainda segundo fontes, Aldo Mendes é extremamente técnico e equilibrado, e não pode ser enquadrado nem dentro de um perfil desenvolvimentista nem ultraortodoxo.

Embora Mendes tenha, em alguns momentos, considerado que o Banco Central poderia ter avançado mais na queda da taxa básica de juros (Selic), ele não acredita na tese de que o desenvolvimento tem de ocorrer a qualquer custo, colocando a estabilidade econômica em risco.

Responsável pela área de finanças do Banco do Brasil, Mendes tinha frequente relacionamento com a diretoria do Banco Central, especialmente com a área de Normas, que é comandada por Alexandre Tombini, cotado para substituir o presidente Henrique Meirelles no comando do banco, no caso de ele, de fato, se afastar do para se candidatar a um cargo eletivo no próximo ano.

Também são boas as relações entre Mendes e a diretoria de Liquidações, comandada pelo amigo dele, Gustavo do Vale. "Ele tem muita interlocução no Banco Central", disse a fonte.

CARREIRA
Funcionário de carreira do Banco do Brasil, a primeira indicação para o cargo de diretor da instituição aconteceu no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Já no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob o comando do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, Aldo Mendes se fixou no cargo de diretor de mercado de capitais e, depois, foi promovido a vice-presidente do Banco do Brasil.

A sua transferência do banco federal para a Companhia Aliança de Seguros foi decisão do ministro Guido Mantega.

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