SÃO PAULO - O aquecimento do mercado de trabalho e o crescimento da renda resultaram em uma queda de 6,7% na inadimplência do consumidor no primeiro trimestre do ano, em relação a igual período de 2009, revelou um estudo da Serasa Experian. Trata-se do recuo mais significativo para um primeiro trimestre, desde o início da série histórica, em 2000.

SÃO PAULO - O aquecimento do mercado de trabalho e o crescimento da renda resultaram em uma queda de 6,7% na inadimplência do consumidor no primeiro trimestre do ano, em relação a igual período de 2009, revelou um estudo da Serasa Experian. Trata-se do recuo mais significativo para um primeiro trimestre, desde o início da série histórica, em 2000. Vale notar, entretanto, que a base de comparação também favorece o resultado, uma vez que, no primeiro trimestre de 2009 o Brasil enfrentava os efeitos da crise mundial. A perspectiva dos economistas da Serasa é de que a inadimplência do consumidor continue em queda no restante do primeiro semestre. Entretanto, no segundo semestre, o indicador que mede as dívidas do consumidor deve sofrer pressão, na opinião dos analistas, por conta do crescimento do endividamento da população e de um possível movimento de aperto monetário por parte do Banco Central. De janeiro a março deste ano, 48,4% das dívidas dos brasileiros eram com bancos, ao passo que 32,6% se referiam a pendências com cartões de crédito. Por sua vez, os cheques sem fundos representaram 16,9% da inadimplência, no período. Já os títulos protestados eram 2,1% do total das dívidas. O valor médio das dívidas com bancos é o mais alto dentre os tipos de dívida, com R$ 1.386,33, cifra que representa uma alta de 2,1% em relação ao primeiro trimestre de 2009. Já o valor médio das dívidas com cheques subiu 43,7%, atingindo R$ 1.191,26, enquanto o valor médio das dívidas com títulos protestados teve alta de 10,7% e ficou em R$ 1.147,20. Por fim, o valor das dívidas com cartões de crédito e financeiras declinou 1,6%, de R$ 386,86 para R$ 380,70, na mesma base comparativa. A pesquisa revelou ainda que a inadimplência do consumidor aumentou 13,9% em março, na comparação com fevereiro. Os economistas da Serasa explicam que a alta é típica para o período, quando muitos consumidores precisam pagar despesas como o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e gastos com material escolar. O resultado foi influenciado ainda pelo fato de março ter tido cinco dias úteis a mais do que fevereiro, além do avanço nos preços de alguns alimentos, o que reduz os recursos disponíveis do consumidor para honrar suas dívidas. Por fim, na comparação anual de março de 2010 com março de 2009, houve queda de 9,1% na inadimplência do consumidor, o maior recuo para um mês de março, nesta base comparativa, desde 2000. (Karin Sato | Valor)
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