SÃO PAULO - Os sinais de que a inflação está se moderando ainda não são suficientemente convincentes e o cenário de demanda superior à oferta ainda exige uma atuação mais forte do Banco Central na política de juros. Essa foi a opinião da maioria dos integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de setembro.

Cinco dos membros optaram por uma elevação de 0,75 ponto na taxa básica, superando os três votos por aumento menor, de 0,5 ponto. Esses três diretores citaram que fatores como a desaceleração econômica global devem ajudar a trazer a inflação brasileira para a trajetória de metas.

Em comum, porém, todos avaliaram que a economia aquecida e as expectativas ainda elevadas quanto à inflação futura representam riscos " relevantes " para a " concretização de um cenário inflacionário benigno " . Nesse ponto, a ata sinaliza que os aumentos de juros ainda podem continuar, se o descompasso entre o ritmo de expansão da oferta e da demanda persistir.

" Nessas circunstâncias, a política monetária deve continuar atuando, enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer, por meio do ajuste da taxa básica de juros, para, por um lado, reduzir tal descompasso e, por outro, evitar que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação. "
Para os três membros que defenderam o ajuste de 0,5 ponto, a retração nas economias de países desenvolvidos pode ter como efeitos a desvalorização das commodities e a diminuição da oferta de crédito. Tais fatores, aliados aos recentes aumentos da taxa básica de juros nacional, poderiam ajudar a conter os reajustes de preços. Nessa circunstância, esses diretores calcularam que uma elevação de 0,5 ponto na Selic " já neste momento " seria apropriada.

Os demais, porém, argumentaram que, apesar da desaceleração global, " os riscos para a materialização de um cenário inflacionário benigno no país não apresentaram ainda melhora suficientemente convincente " e insistiram que o consumo continua crescendo em ritmo maior do que a oferta. Para justificar essa análise, mencionaram o " uso intenso dos fatores produtivos " .

A ata da reunião de setembro repete que o crescimento da renda permanece como estímulo básico para o maior consumo, o que pressiona preços para cima inclusive nos setores pouco sensíveis à concorrência de importados. Reitera que os investimentos para ampliar a capacidade de produção ainda não se consolidaram e que, nesse cenário, o BC deve usar a política de juros para trazer a inflação de volta à trajetória de metas já em 2009. " Evidentemente, na eventualidade de se verificar alteração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo Comitê neste momento, a postura da política monetária será prontamente adequada às circunstâncias " , conclui o documento.

"(Paula Cleto | Valor Online)"

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