O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que é preciso aguardar a divulgação de novos indicadores econômicos sobre o uso da capacidade instalada da indústria para se observar a real tendência da atividade, em meio a dados divergentes divulgados recentemente. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Meirelles observou que os índices da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostraram, no início de 2010, queda do uso da capacidade.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que é preciso aguardar a divulgação de novos indicadores econômicos sobre o uso da capacidade instalada da indústria para se observar a real tendência da atividade, em meio a dados divergentes divulgados recentemente. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Meirelles observou que os índices da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostraram, no início de 2010, queda do uso da capacidade. Já o índice da Fundação Getúlio Vargas (FGV) manteve tendência observada desde o início de 2009 e continua em elevação.

Segundo Meirelles, é preciso verificar os próximos números para confirmar quais as duas tendências vai prevalecer. Durante a audiência, Meirelles também ressaltou que o Brasil atualmente tem outro patamar no ritmo de criação de empregos formais. Ao citar que em março foram criados mais de 260 mil postos de trabalho com carteira assinada, o presidente do BC lembrou que em alguns anos da década de 1990, o País conseguiu criar pouco mais de 30 mil vagas formais.

Política monetária

Meirelles afirmou também que uma política monetária austera não leva a uma queda dos investimentos. "Então, não é verdade que o aumento da Selic provoca uma queda nos investimentos. Na medida em que ela assegura estabilidade econômica e controle da inflação, há um aumento dos investimentos", afirmou Meirelles. Ele destacou que está havendo um aumento dos investimentos estrangeiros diretos, que já retomaram patamares anteriores à crise financeira econômica mundial. Segundo ele, em 2001, esses investimentos representavam 32,8% do passivo externo brasileiro. Hoje, representam 37,9%.

Meirelles destacou o aumento do investimento estrangeiro em ações que, segundo ele, saltou de 9,9% do passivo externo brasileiro em 2001 para 32,6%. "O Brasil tem atraído investimentos de melhor qualidade", disse Meirelles, destacando que, por outro lado, os investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa e em outros tipos de investimento tiveram queda neste período.

Meirelles afirmou ainda, durante sua exposição, que o BC está em plena estratégia de saída da crise, o que mostra que a economia brasileira está sólida e de volta à normalidade. Ele lembrou que o BC iniciou a recomposição dos depósitos compulsórios que foram liberados durante a crise. Segundo ele, dos R$ 100 bilhões liberados, R$ 71 bilhões já retornaram ao BC. De acordo com Meirelles, o que resta são os recursos de direcionamento para bancos pequenos e médios.

Ele lembrou que já houve uma reversão das ações do mercado de câmbio, além de um resgate completo dos empréstimos que foram concedidos durante a crise com recursos das reservas internacionais. O presidente do BC destacou, na sua exposição inicial, a melhoria do rating brasileiro pelas agências de risco e a redução da dívida líquida nos últimos anos. Segundo ele, a melhoria no rating é resultado, não só dessa queda na dívida externa líquida, como também da manutenção da inflação na meta, da política de estabilização econômica, do aumento dos investimentos, da maior distribuição de renda e do fortalecimento do mercado doméstico.

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