O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que o plano de socorro de US$ 700 bilhões dos Estados Unidos ao setor financeiro americano visa a estabelecer um piso para a desvalorização de ativos, principalmente, das hipotecas. O problema é que se o preço dos imóveis continuar caindo, haverá instabilidade nesse processo, disse Meirelles, em palestra de encerramento do Fórum Estadão Crescimento e Previdência, promovido pelo jornal O Estado de S.

Paulo e a Agência Estado, em São Paulo.

Meirelles lembrou que o crescimento médio dos preços dos imóveis nos últimos anos foi de 11,5% e que no acumulado dos últimos 12 meses até julho já há registro de queda de 17,5%. "É uma queda pronunciada", constatou.

No início da exposição, o presidente do BC destacou que o mercado internacional segue muito volátil e, que em momentos como este, é bom resistir à tentação de se chegar a conclusões sobre o que está acontecendo no dia-a-dia. "As expectativas estão oscilando de forma importante", observou.

Na avaliação do presidente do BC, o Brasil se preparou para enfrentar um cenário externo menos benigno. Mesmo assim, ele destacou que o País, apesar de ser mais resistente, acaba por sofrer impactos, como quando ocorre um problema no fluxo financeiro internacional.

Antecedentes

Meirelles voltou a destacar que a expansão do crédito nos EUA, origem da atual turbulência, foi acompanhada de inovações financeiras. Os bancos vendiam ativos para evitar que o risco ficasse com a instituição, o que, pelo menos em tese, geraria algumas vantagens, conforme destacou.

A primeira delas é a de que o sistema poderia ser alavancado com novos ativos; a segunda, é que os investidores teriam oportunidades de comprar riscos diretamente e a terceira, é de que os devedores poderiam ver a redução dos spreads (diferença entre taxa de captação e de empréstimo). "Este é o processo que estávamos vendo ao longo da última década. O dado novo da crise é que parte dos riscos havia ficado nos bancos", disse.

Além disso, o presidente da autoridade monetária ressaltou que o quadro regulatório daquele país era mais permissivo. Ao contrário do que o corre no Brasil, os bancos de investimentos não passaram pela mesma regulação por quais passam os bancos comerciais. "(A crise) é muito mais abrangente do que o quadro que eu pintei", resumiu.

Meirelles disse ainda que no período anterior ao início da crise, a política monetária nos EUA era acomodatícia, o que permitiu um aumento substancial do crédito e ativos imobiliários. "Em meados de 2007, houve a reversão dos preços dos imóveis e o início do não pagamento das hipotecas".

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