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Meirelles: leilão corrigirá liquidez

O objetivo dos leilões do Banco Central para venda de dólares com compromisso de recompra é corrigir distorções de liquidez no mercado. A informação foi dada ontem pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, após anúncio da medida em Nova York, onde participou de reunião no Federal Reserve Distrital e de encontro com investidores internacionais.

Agência Estado |

Segundo o presidente do Banco Central, a crise internacional "é séria e não está debelada". Meirelles disse que o Brasil tem mais de US$ 200 bilhões em reservas líquidas e mais de US$ 20 bilhões em swap cambial reverso (operação pela qual o BC adquire contratos indexados a juros e vende contratos atrelados ao dólar), "o que reforça posição das reservas". "O BC está monitorando a liquidez permanentemente."

O presidente do BC acrescentou que "a liquidez continua normal em reais, com bom funcionamento da economia brasileira". "Agora, existe, não há dúvida, uma questão de liquidez em dólar nos Estados Unidos, que é o grande provedor de dólares, e isso se reflete nas linhas interbancárias de dólares."

"Em razão disso, o Banco Central reagiu e tomou a decisão de promover leilões de venda de dólares conjugados com compra futura. Isto é, o BC vai prover liquidez", disse Meirelles, durante entrevista no Consulado do Brasil em Nova York.

Meirelles destacou que o País reforçou os mecanismos de resistência a choques externos. "O Brasil se preparou para um cenário internacional de maior dificuldade como o de agora." Segundo ele, "é coisa do passado" o antigo ciclo de deterioração de confiança, onde a desvalorização do real levava à deterioração da dívida pública e acentuava a piora da confiança dos participantes do mercado". "Sendo credor líquido em dólares, com a desvalorização do real a dívida pública cai."

Ele também reafirmou que o Banco Central não tem meta de taxa de câmbio, e sim de inflação. "Quando anunciamos a política de acumulação de reservas em 2004, anunciamos que o Banco Central se reservava o direito de intervir nos mercados quando e se julgasse que havia problemas específicos de liquidez ou de distorção na formação de preços", enfatizou. Segundo Meirelles, "o Banco Central não tem objetivo de influenciar as cotações de câmbio, vai simplesmente corrigir problemas eventuais de liquidez nos mercados como qualquer banco central do mundo".

De acordo com Meirelles, o sistema financeiro brasileiro é sólido e capitalizado e não tem exposição direta aos ativos que estão sendo a fonte dos problemas nos Estados Unidos. O presidente do Banco Central disse que foi coincidência chegar ao país um dia antes da ação coordenada dos principais bancos centrais do mundo para injetar liquidez nos mercados financeiros. "Minha capacidade de previsão ainda não chegou ainda nesse ponto", afirmou, emendando que não havia sido comunicado da ação coordenada dos bancos centrais dos países desenvolvidos.

Meirelles esclareceu ainda que a viagem a Nova York deveu-se ao fato de que o Banco Central "concluiu que estava havendo uma deterioração e agudização da liquidez e, portanto, tomamos a decisão de vir, exatamente tendo em vista este monitoramento que estávamos fazendo do cenário".

O presidente do BC disse que veio ouvir autoridades federais e agentes do setor privado para avaliar a percepção de risco não só quanto à solvência do sistema financeiro americano, como também acompanhar os desdobramentos no mundo e avaliar o quadro macroeconômico de médio prazo. "As autoridades financeiras dos Estados Unidos estão atuando de forma decidida, em coordenação com outros bancos centrais do mundo, para ampliar a liquidez do sistema bancário em dólares."

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