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O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, classificou a fuga de capitais que está ocorrendo no mercado brasileiro como um movimento normal e natural. A razão, explicou em entrevista à imprensa em Nova York, deve-se ao fato de que o Brasil tem atraído e continua a atrair muito capital, ainda mais agora que é investment grade, tem taxa de crescimento elevada e muito investimento direto, que continua muito forte.

Segundo Meirelles, "é natural" que fundos com problemas de liquidez em sua base "às vezes façam liquidez naqueles países que podem oferecer mais liquidez, inclusive o Brasil". "Mas é um movimento absolutamente normal. E como já dissemos, o Brasil está em condições muito fortes e preparado para enfrentar situações como esta". Ele enumerou que isto não se deve apenas aos fundamentos e às reservas, mas também ao "funcionamento do arcabouço monetário que está muito bem".

Desaceleração mundial

Não há dúvida que haverá uma desaceleração mundial, afirmou Meirelles. "Em função da questão de liquidez, este é um processo liderado pelos Estados Unidos". "Mas evidentemente que existe um aspecto importante do mundo hoje que é a força econômica dos emergentes, particularmente de países como o Brasil", acrescentou.

O aperto maior do crédito conjugado com a queda dos valores dos imóveis, disse Meirelles, faz que com que exista uma "propensão maior à poupança por parte das famílias". "Isto pode levar também a uma diminuição do consumo. Tudo isso é um quadro onde se prevê uma desaceleração da economia americana, o que já esta ocorrendo, e de uma certa maneira uma diminuição do ritmo de crescimento do mundo".

O presidente do BC também reconheceu que a crise internacional será mais prolongada do que se previa originalmente, mas a duração não é algo que se possa prever neste momento com precisão. "Estamos vendo um clima de muita incerteza", completou.

Em relação ao Brasil, Meirelles citou que "o País está crescendo. No segundo trimestre, (o País) cresceu 6%, uma taxa de expansão muito forte para o Brasil, e cresce fortemente impulsionado pela demanda doméstica, com aumento da renda, do emprego e do crédito em reais no Brasil", enumerou.

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