Presidente do Banco Central fez palestra em São Paulo, mas não se pronunciou sobre elevação do imposto sobre capital estrangeiro

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O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez hoje à noite em São Paulo a palestra de inauguração do Auditório Moise Safra do Hospital Albert Einstein. No final do evento, Meirelles não quis dar entrevista, inclusive para comentar a elevação, anunciada hoje pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para 4% sobre o capital externo para a renda fixa. "Eu sei que ele ocorreu, mas hoje é dia de celebração aqui no Albert Einstein", afirmou.

Na palestra, Meirelles ressaltou o papel da previsibilidade na evolução macroeconômica do País nos últimos anos. Ele destacou que a melhoria dos fundamentos do Brasil desde 2003 permitiu a ascensão de 31 milhões de pessoa à classe média, fez com que 19 milhões de pessoas deixassem a linha de pobreza e que ocorresse uma evolução do nível de concessão de crédito de 22% para 46%, em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB).

O presidente do BC destacou ainda que hoje aproximadamente 54% da população brasileira pertence à classe média. Meirelles afirmou que a capacidade do País de ter uma gestão de política econômica estável e de longo prazo, com inflação sob controle e crescimento sólido, fez com que o Brasil realizasse a maior captação da história do mercado de capitais, gerando um montante de R$ 120 bilhões à Petrobras.

Meirelles disse que a estabilidade da economia permitiu que o Brasil conseguisse sair bem da crise de 2008/2009, "uma recessão curta e da qual o Brasil saiu com vigor". O presidente do BC afirmou que o Brasil tem o reconhecimento internacional da evolução macroeconômica nos últimos anos, demonstrado de várias formas, entre elas, pela participação no Conselho Diretor do Banco de Compensações Internacionais (BIS, em inglês). Dos dez membros do Conselho Diretor do BIS, o País é o único emergente que trabalha ao lado da China. Um outro fator apontado por Meirelles foi a realização das eleições presidenciais, tratada de forma natural, segundo ele, por agentes econômicos.

A eleição, segundo ele, não demonstrou apenas o avanço tecnológico do País por meio da votação eletrônica, mas também o avanço institucional e da democracia que a sociedade brasileira desfruta.

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