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Meirelles enaltece gestão da dívida em evento com agências de risco

SÃO PAULO - A boa administração da dívida do setor público e o colchão de reservas internacionais criado pelo Banco Central (BC) foram dois aspectos destacados hoje por Henrique Meirelles, presidente do BC, em evento nesta tarde que contou com representantes das agências de classificação de risco Standard & Poor´s e Fitch Ratings, em São Paulo. Em meio a análises das razões que levaram os Estados Unidos à atual crise, o dirigente fez questão de mencionar que a vulnerabilidade do Brasil atualmente é bem menor devido à boa gestão econômica conduzida no país. Hoje há um consenso de que o Brasil está mais bem preparado (para enfrentar turbulências), disse.

Valor Online |

Mesmo com mais resistência, Meirelles lembra que o Brasil não está isolado e faz parte do círculo comercial e financeiro do mundo, onde há falta de liquidez no momento. "Isso tem reflexo para o Brasil."
Em sua exposição, o dirigente mencionou que as reservas internacionais brasileiras, de US$ 207 bilhões, representam três vezes o montante total da dívida externa a vencer em 12 meses. Segundo o presidente do BC, as compras da autoridade monetária em leilões no mercado spot totalizaram US$ 157,8 bilhões de janeiro de 2004 a agosto de 2008.

"Não há dúvida de que o país tirou partido de um momento benigno, de excesso de dólares entrando na economia para montar um colchão de reservas que tem se mostrado de extrema utilidade neste momento", reforçou.

Sobre o endividamento do país, Meirelles incluiu em seu conjunto de transparências - cujo título era "resistência frente à crise financeira internacional" - uma lâmina mostrando que a dívida cambial doméstica, que era de US$ 65,7 bilhões em janeiro de 2003 foi revertida para uma posição credora.

Ele lembrou ainda que desde 2003 o país executou uma redução de US$ 81,6 bilhões de títulos dolarizados para títulos em moeda local, que são menos vulneráveis em momento de volatilidade. Se antes a desvalorização cambial resultava em aumento de dívida e situação fiscal preocupante, hoje ocorre movimento contrário, o que reduz a pressão sobre a dívida e sobre a confiança.

Meirelles deu como exemplo o ajuste do câmbio brasileiro em agosto do ano passado, quando a atual crise financeira veio a público. "Eu me lembro que o dólar estava a R$ 1,85 e foi a R$ 2,13, depois a situação se normalizou", disse sem mencionar nada sobre a flutuação recente da moeda americana no Brasil, que somou alta de 16,45% neste mês.

Sobre a dívida total do setor público, que representava em agosto 40,5% do PIB, Meirelles mencionou que ela é declinante e pode ficar abaixo desse patamar até o final deste ano.

Ao se deter especialmente sobre a gestão da dívida, Meirelles mencionou que essas diferenças qualitativas em relação ao passado do país precisam ser destacadas em momento de crise. "Os analistas, no calor dos acontecimentos, perdem isso de vista e têm crise confiança", explicou.

Ainda que o risco Brasil tenha avançado 13,88% (337 pontos) apenas ontem e somado alta de 40,42% neste mês, o presidente da autoridade monetária afirmou que comparada a outros momentos de turbulência o indicador brasileiro está bastante acomodado e distanciado dos picos de cautela revelados por indicadores globais de risco.

Sobre a piora significativa dos mercados globais verificados ontem, Meirelles afirmou que é preciso "resistir a tirar conclusões com o que ocorre no dia-a-dia", pois as percepções ficam distorcidas pela volatilidade.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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