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Meirelles é questionado durante audiência pública na CAE

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi ontem duramente questionado sobre a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter inalterada a taxa de juro, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A crítica mais contundente partiu do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), presidente da CAE, que quis saber por que não predominou a vontade da maioria dos integrantes do Copom que, de acordo com informação que consta da própria ata da reunião, discutiu a opção de reduzir a taxa juro em 0,25 ponto porcentual.

Agência Estado |

"Ministro Meirelles, o que aconteceu na sala do Copom, em que a minoria vira maioria e depois vira consenso?" - perguntou Mercadante, numa referência a outro trecho da ata que diz que o Copom decidiu, por unanimidade, "ainda manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés, neste momento".

Em resposta, Meirelles defendeu o debate. "Se discutiu essa possibilidade. O fato de discutir não quer dizer que houve decisão", explicou.

Para ele, não há contradição na ata do Copom. "A maioria (dos membros do Copom) concluiu que não seria o momento adequado (para reduzir a taxa de juro) naquela reunião. A ata é consistente e foi muito bem entendida pela maioria das pessoas", disse. Meirelles disse que o Copom tomou como base o balanço de riscos.

Mercadante voltou a questionar alegando que os dados sobre a demanda interna são importantes parâmetros para as decisões do Copom mas que, hoje, eles representam "um olhar pelo retrovisor". O presidente da CAE lembrou que há uma recessão global em curso, com o PIB da Europa, dos Estados Unidos e do Japão "despencando" , as economias asiáticas em desaceleração forte e as demissões de trabalhadores sendo feitas inclusive no Brasil.

Para ele, esses eram os dados que precisavam ter sido levados em consideração pelo Copom. "Se nós continuarmos com uma posição de, quando se pode fazer mais se faz menos, podemos agravar o custo social (do ajuste à crise)", afirmou.

Meirelles rebateu. "Não podemos transformar esta reunião em réplica da reunião do Copom. Isso geraria uma grande confusão em termos de sinais para os mercados. Precisamos ter cuidado, pois isso pode ter riscos importantes", ponderou.

Ele afirmou ainda que a história mostrará o acerto das decisões do BC. Meirelles argumentou ainda que, mesmo com a política monetária executada pelo BC, o Brasil apresentou, desde 2003, crescimento econômico e aumento da demanda.

O líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), por sua vez, disse que o Copom, em sua última reunião, "foi mais realista que o rei". Segundo ele, havia espaço para a redução dos juros pois "temos hoje uma clara desativação da economia". O senador Adelmir Santana (DEM-DF) manifestou preocupação com a existência no Brasil de uma "super dosagem de juros", o que foi rebatido por Meirelles. O senador Raimundo Colombo (DEM-SC) foi o único que não fez críticas ao presidente do BC. "Eu me sinto seguro sob o seu comando", disse ele a Meirelles.

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