BRASÍLIA - A recuperação do fluxo cambial com redução da volatilidade assim como ligeira retomada na oferta de crédito interno foram pontos citados pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, na reunião do Conselho Político, realizada hoje. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por sua vez, voltou a sustentar que os efeitos da crise mundial estão menores do que o esperado para este início de ano.

Mantega manteve na reunião no Palácio do Planalto o tom de "recuperação modesta" da economia doméstica perante a crise mundial, reiterando indicadores de janeiro que dão sinal de que o país "está sofrendo os efeitos, mas não está tão ruim" como outros países.

De acordo com políticos que participaram da primeira reunião do ano com líderes da base aliada do governo no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou as exposições de Mantega e Meirelles para se classificar, mais uma vez, como "muito otimista" em relação ao desempenho econômico em 2009.

Isso "porque o Brasil tem condições de sair melhor da crise do que outros países", reafirmou o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS). "O cenário é de melhora, com menos estragos do que o que a equipe econômica esperava, sem recessão", disse o líder.

"Só tratamos da crise econômica. Crise política, não", sustentou o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), ao ser questionado se as críticas do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ao próprio partido teria sido tema da reunião do Conselho Político. "Esse é um assunto das lides internas do PMDB", concluiu Casagrande.

Ao relatar as exposições de Mantega e Meirelles, Fontana chegou a sinalizar que o governo estaria revendo suas projeções para o crescimento econômico no ano, mas depois alegou não ter os números.

O vice-líder do governo na Câmara, deputado e empresário Rocha Lima (PMDB-PR), listou a proposta de reforma tributária como um dos projetos prioritários da pauta do governo no Congresso. Ele disse ainda que Lula teria destacado que "se deve aproveitar a crise para que o Brasil cresça sua posição entre as economias mundiais".

O presidente do BC citou na reunião que os bancos estaria reduzindo o spread bancário, a diferença entre o custo de captação e a taxa dos empréstimos. Hoje à tarde, Meirelles participa de reunião no gabinete de Mantega para discussão sobre o custo financeiro no país com representantes da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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