Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Meirelles diz que alta do PIB prevista pela CNI em 2009 é pessimista

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou ser pessimista a projeção de crescimento econômico real em 2,4% para 2009, feita hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Já o presidente da CNI, Armando Monteiro, disse que sem queda dos juros, o crescimento pode ser menor ainda.

Valor Online |

Em depoimento no Congresso hoje, Meirelles comentou que prefere aguardar a estimativa da autoridade monetária para a variação do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem. A primeira projeção sai na próxima segunda-feira, dia 22, no Relatório de Inflação de dezembro.

Ontem, em São Paulo, Meirelles chegou a afirmar que "não seria surpresa" se o número projetado no Relatório de Inflação for significativamente inferior ao crescimento esperado para 2008, devido à piora do cenário internacional com a crise financeira.

Monteiro, da CNI, argumenta que o BC deve entender que o país vive outro momento, com uma "desaceleração forte". "Sem ferir sua autonomia, (o BC) pode flexibilizar a política monetária em 2009", afirmou.

Já Meirelles, que participou hoje de debate justamente sobre independência do BC, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, preferiu não dar sua opinião explícita sobre a questão da autonomia formal, alegando não poder fazer "juízo de valor" por ser parte interessada na questão. Mas mostrou gráficos e comparações de países onde bancos centrais são independentes.

O presidente do BC disse ainda que a autonomia operacional da instituição tem sido "bem-sucedida, e há o reconhecimento de órgãos internacionais sobre os resultados que deixaram o Brasil melhor preparado contra a crise".

O ex-presidente do BC Armínio Fraga, defensor da autonomia com mandatos fixos para os dirigentes da autoridade monetária, disse na audiência no Senado que nesse momento em que o BC está sendo muito demandado em medidas anticrise, o governo não deve exagerar na dose com estímulos fiscais para evitar a queda do consumo em 2009. Do contrário, o BC poderia ficar impedido de cortar os juros pela ameça de retorno da inflação.

"O governo tem que ter sangue frio e não exagerar nas medidas anticíclicas fiscais e creditícias. Aí, o Banco Central terá um espaço surpreendente para a queda do juro", comentou Fraga, ao defender "um processo gradual" do corte da taxa básica Selic.

Também presente na audiência no Senado, o ex-presidente do BC Gustavo Loyola ressaltou que a aprovação de um marco regulatório sobre a autonomia do BC deve prever a transferência de funções, como a liquidação de bancos.

Igualmente no encontro, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega disse que o Brasil reúne quatro condições para ter um BC independente de fato: "democracia, fortes instituições econômicas, aversão da sociedade à inflação e imprensa livre".

(Alex Ribeiro | Valor Econômico e Azelma Rodrigues | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG