O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, negou hoje que seja uma sinalização para o Comitê de Política Monetária (Copom) a declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que há alternativas à alta do juro básico (taxa Selic) para combater a inflação. "Não.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, negou hoje que seja uma sinalização para o Comitê de Política Monetária (Copom) a declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que há alternativas à alta do juro básico (taxa Selic) para combater a inflação. "Não. O Copom age de forma autônoma e técnica", declarou Meirelles em entrevista coletiva após ser homenageado pelo Instituto Brasileiro de Executivo de Finanças (Ibef). Sorridente, Meirelles completou, ainda, sobre o comentário do ministro: "Mas qualquer ajuda é bem-vinda".

Meirelles defendeu em sua palestra que seja feita uma reforma institucional das funções dos Três Poderes, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU). Os objetivos seriam "garantir que, de um lado, tenha fiscalização, mas com eficácia que garanta que as obras possam andar". Ele defendeu investimento em infraestrutura "física e humana". Segundo o presidente do BC, uma de suas maiores preocupações atualmente é com a formação de mão de obra qualificada. Ele explicou que essa preocupação vem do fato de que entre 1980 e 2003 o Brasil cresceu, em média, pouco acima de 2%, e agora a previsão para crescimento este ano é de 5,8%.

Goldman Sachs

O presidente do BC considerou como normal a preocupação dos mercados diante da denúncia da Securities and Exchange Commission (SEC), a comissão de valores mobiliários norte-americana, de que o banco Goldman Sachs e um de seus vice-presidentes fraudaram investidores em operação envolvendo obrigação de dívida colaterizada (CDO) e do anúncio de que outras instituições serão investigadas. Segundo Meirelles, a correção foi ampliada "porque os mercados estavam em um momento exuberante".

Meirelles afirmou que ainda "é tudo muito preliminar, mas é um tipo de alerta para que novas regras sejam feitas para combater a falta de transparência desses produtos". Ele afirmou que no Brasil, hoje, os mercados sentiram um pouco e existe um reflexo de aversão ao risco, "mas acredito que o Brasil já está preparado para isto". O presidente do BC observou que não entrou no mérito de haver ou não a fraude denunciada pela SEC.

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