Presidente do BC diz que Caixa Economica Federal e BNDES devem garantir acesso a crédito em caso de agravamento da crise

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira (17), em Nova York, que o o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) devem voltar a garantir acesso a crédito caso a crise na Europa se agrave e atinja o Brasil. "Dentro do conjunto de medidas que foram adotadas naquela crise (de 2008) existiu o empréstimo de reservas, existiu a liberação de compulsórios para a melhora da liquidez e do crédito em moeda estrangeira e em moeda nacional, existiram os estímulos fiscais e a ação decisiva dos bancos públicos. Todo esse conjunto de medidas está devidamente preparado, não só agora como em qualquer crise que por ventura possa acotecer no futuro."

Meirelles acredita, porém, que é baixo o risco de essas medidas serem mais mais uma vez necessárias, porque o Brasil está hoje mais bem preparado para enfentar turbulências no mercado do que em 2008, quando o banco americano Lehman Brothers quebrou e desencadou forte crise financeira nos Estados Unidos. "O Brasil está até mais forte hoje", afirmou, destacando que o país tem US$ 250 bilhões em reservas, um nível maior do que tinha há dois anos. Ele também afirmou que os depósitos compulsórios no Banco Central estão no mesmo nível que estavam naquela época. "A crise de 2008 foi a pior crise que enfrentamos em 80 anos, e o Brasil saiu mais forte do que entrou na crise."

Questionado sobre como deve ser a política macroeconômica do próximo governo, Meirelles disse que "não há espaço para grandes mudanças", porque os ganhos são visíveis para a população, como o aumento no número de empregos -- no primeiro trimestre deste ano a criação de postos de trabalho atingiu o maior nível da história.

Há exatamente uma semana, o pré-candidato à presidência pelo PSDB, José Serra, criticou o desempenho do Banco Central. Serra disse que a instituição errou ao não ter baixado mais a taxa de juros no passado, quando o cenário econômico internacional estava mais favorável.

Apesar da crítica, Serra viajará nesta semana para Nova York para prestigiar Meirelles, que na noite da próxima quinta-feira (20) será homenageado com o título "Personalidade do Ano" pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. A candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, também participará do evento. Meirelles esteve hoje na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), onde concedeu entrevista coletiva.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.