O sistema financeiro brasileiro é sólido e capitalizado e não tem exposição direta aos ativos que estão sendo a fonte dos problemas nos Estados Unidos, afirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Os bancos brasileiros, e o sistema como um todo, têm folga nos limites de capital ajustado à exposição de risco, ou seja, o índice de Basiléia encontra-se bem acima dos 11% exigidos, completou Meirelles, em entrevista em Nova York.

De acordo com ele, a viagem para Nova York deveu-se ao fato de que o BC "concluiu que estava havendo uma deterioração e agudização da liquidez e, portanto, tomamos a decisão de vir, exatamente tendo em vista este monitoramento que estávamos fazendo do cenário". O presidente do BC disse que foi coincidência chegar aos Estados Unidos um dia antes da ação coordenada dos principais bancos centrais do mundo para injetar liquidez nos mercados financeiros. "Minha capacidade de previsão ainda não chegou a nesse ponto", afirmou, emendando que não havia sido comunicado da ação coordenada dos bancos centrais dos países desenvolvidos.

Meirelles disse que veio ouvir autoridades federais americanas e agentes do setor privado para avaliar a percepção de risco não só quanto à solvência do sistema financeiro norte-americano, como também acompanhar os desdobramentos no mundo e avaliar o quadro macroeconômico de médio prazo. "As autoridades financeiras dos EUA estão atuando de forma decidida, em coordenação com outros BCs do mundo, para ampliar a liquidez do sistema bancário em dólares", ponderou.

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