O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, adiou ontem, mais uma vez, a decisão sobre se vai sair ou não do governo. A indefinição deve-se às negociações que ainda podem abrir o caminho para torná-lo companheiro de chapa de Dilma Rousseff.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, adiou ontem, mais uma vez, a decisão sobre se vai sair ou não do governo. A indefinição deve-se às negociações que ainda podem abrir o caminho para torná-lo companheiro de chapa de Dilma Rousseff. Como o PMDB se mantinha firme na indicação do presidente da Câmara, Michel Temer, para a vaga, até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em campo. Peças-chave do partido, como o ministro Nelson Jobim (Defesa), os ex-ministros Hélio Costa (Comunicações) e Edison Lobão (Minas e Energia), além do deputado Jader Barbalho (PA), foram envolvidas na roda de negociações. Dilma também se movimentou em favor de Meirelles. No meio da tarde, mesmo já tendo deixado o cargo de ministra, ela recebeu o presidente do BC no Centro Cultural Banco do Brasil, de onde despachava até ontem. Meirelles, segundo apurou o Estado, contou para ela que está sofrendo fortes pressões por parte do PMDB de Goiás, que lhe oferece tanto a vaga para se candidatar a governador quanto a senador. Se ele quiser disputar o governo, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, ficará de fora do páreo. Se optar pelo Senado, poderá ajudar muito o candidato do PMDB, porque fortalecerá a candidatura de Iris Rezende. Meirelles disse ainda à ministra que pode ficar na presidência do Banco Central, porque é um cargo em que tem condição de ajudar muito a candidatura dela. Nessa posição ele poderá comandar a política monetária do País, tomar medidas que contenham a inflação e manter a influência. Mais até do que a de um senador. Articulações. Desde que se filiou ao PMDB, Meirelles teve a esperança de se tornar o companheiro de chapa da petista Dilma. Suas expectativas vêm sendo alimentadas pelo presidente Lula há pelo menos seis meses. Em setembro do ano passado, o presidente orientou Meirelles a se filiar ao PMDB e aguardar as articulações políticas, pois trabalharia para fazê-lo candidato a vice de Dilma. Lula, então, lançou a ideia de uma lista tríplice no PMDB. Seria a oportunidade de Meirelles se fortalecer e vencer a disputar interna. Mas, como o PMDB reagiu, Lula recuou e passou a trabalhar mais nos bastidores. "Essa decisão tem consequências importantes. De toda forma, não é uma decisão de carreira, envolve o papel que a instituição representa para o Brasil", declarou Meirelles ontem, ao afirmar que uma decisão será anunciada até hoje.
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