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Moscou, 23 mar (EFE).- O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, pediu nesta terça-feira ao multimilionário Victor Vekselberg que coordene a construção de um centro nacional de tecnologia e inovação, projeto conhecido como o Vale do Silício russo.

"Decidi que a coordenação da estrutura da parte russa ficará a cargo de Víctor Vekselberg", disse Medvedev sobre o homem que ocupa o 13º lugar entre os russos mais ricos, com uma fortuna de US$ 8,350 bilhões, segundo a revista "Finans".

Vekselberg é presidente do Grupo Renova de companhias investidoras com ativos nos setores financeiro, metalúrgico, energético, petroleiro, mineração, de maquinaria, construção, telecomunicações e nanotecnologias, na Rússia e em outros países.

Ele tornou-se famoso em 2004, quando comprou por US$ 100 milhões a coleção de ourivesaria de Fabergé, que era da família Forbes, incluindo nove dos famosos ovos com pedras preciosas, que expõe em museus russos sem ter doado ao Estado.

O magnata declarou que o projeto do Vale do Silício russo "só será viável se tiver caráter internacional" e afirmou que em breve anunciará a lista dos aspirantes para liderar a seção estrangeira do futuro centro.

"Ainda não temos um candidato para esse posto, mas há entendimento que nesse lugar queremos ver uma pessoa de renome e com experiência na comercialização de inovações", afirmou o empresário, segundo a agência "Interfax".

Medvedev aprovou recentemente a construção de um centro nacional de desenvolvimento e comercialização de novas tecnologias dentro de seu projeto de profunda modernização econômica e industrial do país, para acabar com a dependência da extinta URSS e da mera exportação de matérias-primas.

O chefe do Kremlin, que decidiu localizar o Vale do Silício russo no distrito Skolkovo da região de Moscou, no oeste da capital, encomendou nesta terça-feira ao Governo a elaboração de um pacote de incentivos fiscais para esse centro científico.

Financiado em uma parceria entre o Estado e a iniciativa privada, o projeto prevê construir a infraestrutura do centro no prazo que varia de três a sete anos. No local, deverão trabalhar de 30 mil a 40 mil especialistas.

A ambição do Kremlin é atrair a este centro vários prêmios Nobel e transferir para o local as sedes das maiores companhias nacionais.

Mas Vekselberg matizou hoje que a tarefa inicial agora é selecionar funcionários do administrativo encarregado dos assuntos organizativos, pois, ressaltou, por enquanto os coordenadores têm "mais perguntas que respostas".

"O projeto não consiste só em edificar em uma superfície de 380 hectares uma cidade com centros empresariais e imóveis, pois essa tarefa será rapidamente resolvida. O objetivo é criar um nível elevado de potencial intelectual, incluídos representantes da ciência mundial", indicou.

Segundo Vladislav Surkov, chefe adjunto do gabinete da Presidência, o Vale do Silício russo será feito a partir de projetos em cinco âmbitos de modernização: tecnologias nucleares, espaciais, médicas e de informática, e economia de energia. EFE se/dm

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