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Medvedev e Chávez firmam acordos

O presidente russo, Dmitri Medvedev, e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, assinaram ontem à noite em Caracas sete acordos de cooperação, entre eles o de promoção da energia nuclear com fins pacíficos e exploração petrolífera. A Rússia deve construir um reator nuclear para a Venezuela que, apesar de ser um grande exportador de petróleo, tem um defasado sistema de energia.

Agência Estado |

Medvedev chegou ontem à noite a Caracas para uma visita de dois dias. O presidente russo busca estreitar os laços estratégicos com a Venezuela - que vêm se refletindo, nos últimos anos, em uma ampla cooperação militar, energética e financeira. A visita de Medvedev coincide com a chegada da esquadra naval russa, que realizará manobras conjuntas com a Marinha venezuelana.

Além do reforço nas relações entre os dois países, a chegada de Medvedev é uma mensagem inequívoca para o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, de que o seu desafio mais incômodo na América Latina será o governo Chávez e sua cruzada contra a influência americana na região, afirmam analistas.

Chávez, que já chamou o presidente George W. Bush de "demônio", estendeu a mão para Obama e mostrou-se disposto a retomar o diálogo com Washington. Mas, apesar de suas palavras conciliatórias, Obama terá pela frente a tarefa de neutralizar as pretensões de um país interessado em formar alianças com seus adversários.

A Venezuela não representa nenhum risco estratégico para os EUA. Contudo, Chávez empenhou-se energicamente nos últimos dez anos em preencher o vazio deixado pelos EUA na região. No processo, ele se tornou o mais veemente líder antiamericano e estruturou uma aliança com os principais inimigos dos EUA.

"Toda a revolução de Chávez tem por base suplantar a influência dos EUA na região", disse Peter DeShazo, antigo diplomata americano que supervisiona o programa latino-americano no Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos.

Assim como seu aliado em Cuba, Fidel Castro, Chávez representa os subjugados pelos EUA. Seu papel é fomentar a união de países que pensam do mesmo modo para impedir um mundo "unipolar".

Mas, com a crise econômica, o barril de petróleo caiu para a faixa dos US$ 40, reduzindo a capacidade de Chávez de se projetar no cenário mundial.

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