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Medo do efeito dominó da crise na Europa desata sangria financeira

O temor desencadeado pela grande operação de resgate do banco hipotecário alemão Hypo provocou o desabamento das bolsas de todo o mundo e acabou com a ilusão de que as grandes intervenções estatais podem conter rapidamente a crise financeira mundial.

AFP |

"Todo mundo esperava que, depois da aprovação do pacote nos Estados Unidos e os resgates na Europa, as coisas se acalmariam, mas, na realidade, ainda há fortes temores quanto a um efeito dominó", explicou o analista da ING, Adrian van Tiggelen.

O resgate do banco alemão Hypo Real Estate por 50 bilhões de euros (68 bilhões de dólares), a compra do banco belga-holandês Fortis pelo francês BNP Paribas e a aprovação do histórico resgate financeiro americano de 700 bilhões de dólares não conseguiram aliviar o crescente sentimento de pânico.

A decisão do governo da Alemanha de garantir os depósitos bancários de particulares aumenta a pressão sobre outros governos europeus para que a mesma coisa, depois dos passos da Irlanda e da Grécia.

Todas as bolsas européias estavam em forte baixa na abertura desta segunda-feira, depois das grandes perdas nos mercados asiáticos.

O índice Footsie 100 da Bolsa de Londres registrava queda de 6,21%, a 4.670,89 pontos, às 10H00 GMT (7H00 de Brasília), seu menor nível desde 1º de novembro de 2004.

O CAC 40 de Paris retrocedia 4,49% e o Dax de Frankfurt registrava queda de 3,97%.

As duas Bolsas de Moscou, Micex, cotada em rublos, e RTS, cotada em dólares, anunciaram nesta segunda-feira a suspensão de suas cotações após quedas superiores a 14% e 15%, respectivamente.

Os preços do barril do petróleo, que até há três meses eram cotados a quase 150 dólares, baixaram até os 85 dólares em Londres e 89 dólares em Nova York, seu menor nível desde fevereiro, por temor a uma queda da demanda de petróleo por causa da crise.

Os dirigentes da União Européia (UE) mantinham cotatos nesta segunda-feira para preparar uma declaração de apoio aos mercados financeiros, segundo fontes próximas ao governo italiano citadas pela imprensa nacional.

O chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, por sua vez, se reunirá na sexta-feira, em Paris, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que ocupa a presidência semestral da União Européia, informou à AFP um porta-voz do governo.

A Espanha, quinta economia européia, não esconde seu mal-estar por não ter sido convidada para a cúpula dos líderes dos membros europeus do G8 - Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha - realizaram no sábado, em Paris, para debater a crise.

Depois de intensas negociações entre o ministério das Finanças alemão, o Bundesbank (banco central), bancos privados e reguladores de mercado, o banco Hypo Real Estate (HRE), o quarto da Alemanha, recebeu no domingo à noite uma capitalização adicional de 15 bilhões de euros que se somaram aos 35 bilhões obtridos na semana passada.

A Alemanha também ofereceu proteção ilimitada às contas bancárias pessoais, garantias que totalizariam 568 bilhões de euros. A garantia vai além e também inclui os depósitos a prazo, que alcançam no país 1,62 trilhão de euros (2,2 trilhões de dólares), segundo o Bundesbank.

O ministro espanhol da Economia, Pedro Solbes, disse que não exclui adotar a mesma medida.

O governo britânico também está considerando capitalizar os bancos em dificuldade com milhões de libras em troca de ações.

Depois de um fim de semana de intensas negociações, o BNP Paribas anunciou que tomará o controle das operações do banco Fortis na Bélgica e Luxemburgo, num acordo que converterá a Bélgica no maior acionista do banco francês.

O acordo deixa aos governos da Bélgica e Luxemburgo com participações reduzidas no Fortis, que foram nacionalizadas parcialmente uma semana antes, em troca de participações no BNP Paribas, que se converte assim no maior banco da Europa em termos de depósitos.

Os bancos centrais continuam injetando milhões nos mercados monetários interbancários, que sobrevivem graças a esta assistência das instituições estatais porque os bancos comerciais estão demasiado assustados para emprestar dinheiro entre si.

O Federal Reserve (Fed, banco central americano), por exemplo, anunciou nesta segunda que aumentará por etapas a linha de refinanciamento oferecida aos bancos a 600 bilhões de dólares para aumentar sua liquidez em outubro e novembro.

O aumento alcançará 600 bilhões de dólares em outubro e novembro de maneira que, no total, 900 billhões de dólares de créditos estejam potencialmente disponíveis antes do fim do ano, acrescenta o comunicado.

Apesar das enormes injeções de efetivo de emergência em curto prazo dos bancos centrais, o dinheiro não está circulando e as taxas de juros a curto prazo, principalmente a taxa LIBOR, dispararam.

bur-wai/cn/fp

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