SÃO PAULO - Os mercados globais continuam reagindo mal a sinalizações de baixo crescimento e de recessão nos países desenvolvidos. A aversão a risco continua em ascensão e bolsas de países emergentes, como a do Brasil, voltam a tombar nesta sessão.

No segmento cambial, o Banco Central continua trabalhando para atender a demanda por dólares, mas a divisa insiste na valorização.

Às 12h53, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) registrava baixa de 6,36%, aos 31.668 pontos, com giro financeiro de R$ 1,289 bilhão. O índice já esteve pior e se aproximou de um novo "circuit breaker" após a abertura, ao cair 8,69% para 30.879 pontos.

O dólar comercial também já esteve mais caro no câmbio doméstico, mas reagiu aos leilões do Banco Central. A autoridade monetária fez uma oferta de moeda à vista no mercado pronto, com taxa de corte a R$ 2,35, e colocou US$ 1,706 bilhão em swap cambial realizado às 11h30. A moeda sobe 1,25%, comprada a R$ 2,3320 e vendida a R$ 2,3340. Na máxima do dia a divisa foi negociada a R$ 2,40 (+4,12%).

As baixas nos mercados asiáticos e das bolsas européias, bem como dos índices em Nova York, já prenunciavam mais um dia de tensão para o mercado brasileiro. Flávio Serrano, economista-sênior do BES, cita a queda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido no último trimestre como uma das notícias negativas de peso para a jornada. O mercado já esperava que o país registrasse a primeira baixa do PIB em 16 anos, mas contava com uma variação negativa mais modesta, de 0,2% no período.

Para completar, a expectativa de recessão nas maiores economias do mundo é tão grande que o petróleo continua em queda, mesmo com o corte de produção anunciado pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) . Para a bolsa brasileira, onde as ações da Petrobras têm peso de cerca de 18% do índice, é uma variável adicional de perdas.

Assim como aconteceu nos últimos três dias, o medo de recessão nos países desenvolvidos tem promovido uma fuga de investidores estrangeiros de mercados de países emergentes. A saída desses investidores afeta não só o mercado acionário, mas também as moedas, especialmente a brasileira, que por muito tempo foi favorecida pelo fluxo contínuo positivo de investidores internacionais.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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