Tamanho do texto

Nem apelos desesperados por calma nem bilhões de euros a mais no mercado europeu foram suficientes para conter as bolsas ontem. Os principais mercados financeiros da Europa fecharam pelo quarto dia consecutivo em queda, mesmo depois de uma ação coordenada dos bancos centrais dos países ricos para reduzir as taxas de juros na quarta-feira, um pacote de US$ 875 bilhões no Reino Unido para salvar os bancos e injeções de outros bilhões em todo o mundo.

O temor é de que nem os esforços coordenados dos BCs dos países ricos conseguirão evitar uma recessão global. Como resultado, o índice Dow Jones Stoxx 600 na Europa caiu ao pior nível nos últimos cinco anos. No ano, já acumula perdas de 39% diante dos temores de que as perdas de US$ 600 bilhões do mercado financeiro se traduzam em recessão, desemprego e queda de renda.

Logo pela manhã, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, foi à rádio e deu sua mensagem aos mercados: "Acalmem-se". Suas palavras foram seguidas por uma injeção recorde de 100 bilhões na economia européia para tentar destravar os mercados. No Japão, o Banco Central injetou outros US$ 15 bilhões, colocando dinheiro na economia pelo 17ª dia seguido.

Num primeiro momento, a resposta dos mercados foi positiva, depois de um dos maiores tombos já levados pelas bolsas na quarta-feira na Europa. Mas ao final do dia as bolsas voltaram a cair. Analistas apontaram os maus resultados nas vendas da GM na Europa anunciados ontem e o nervosismo da bolsa nos Estados Unidos como um sinal claro de que a crise não estava resolvida e começava a afetar a produção de empresas.

Para completar, França, Bélgica e Luxemburgo foram obrigados, pela segunda vez em duas semanas, a socorrer o banco Dexia. Ontem, os governos prometeram garantir o dinheiro que o banco tomou emprestado do mercado. A medida tem como objetivo evitar uma crise de liquidez no banco e permitir que continue funcionando.

Na Islândia, o governo praticamente completou a nacionalização de todo seu sistema financeiro ontem e fechou a bolsa até segunda-feira. China, Coréia do Sul, Hong Kong e Taiwan seguiram os BCs do G-7 e reduziram os juros ontem de forma coordenada, também para incentivar a retomada de suas economias.

Em declarações ao Estado, um funcionário da Bolsa de Zurique, que pediu para não ser identificado, deixou claro que o medo agora não é de que os planos apresentados pelos países não sejam mais suficientes, e sim de que a economia de fato está entrando em recessão. "Agora, o temor é de que a crise passe para a economia real."

O mercado de crédito continuou travado e os empréstimos entre bancos, paralisados. Em Zurique, a bolsa caiu pelo quarto dia seguido: 4,52%. Em Paris, queda de 1,55%, e 1,2% em Londres. No Reino Unido, o governo colocou US$ 875 bilhões em um plano para parcialmente nacionalizar o sistema financeiro britânico com esperança de que pudesse acalmar os mercados e os correntistas. O Barclays, um dos bancos que estariam na lista dos que seriam salvos, teve queda de 13% em suas ações. Já o RBS soma perdas de 48% na semana. Em Frankfurt, a bolsa caiu outros 2,53%, ante 3,8% na Espanha e 4% na Bélgica.

Os papéis de companhias ligadas ao petróleo também caíram à medida que o preço da commodity recuava quase 2%, com as ações da Royal Dutch Shell caindo 3,2% e as do BP perdendo 1,8%. O preço vem caindo diante das expectativas de recessão e, portanto, queda na demanda. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.