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Medidas não estão dando resultado, reclamam empresários

As medidas adotadas pelo governo para irrigar o mercado com crédito e reduzir os efeitos da crise financeira mundial na economia brasileira não estão surtindo os efeitos esperados. Na segunda reunião do Grupo de Acompanhamento da Crise, realizada ontem no Ministério da Fazenda, os empresários criticaram as altas taxas de juros e os spreads bancários e a demora na liberação dos recursos dos bancos oficiais.

Agência Estado |

Também reivindicaram mais desonerações de tributos. Basicamente, são as mesmas queixas da reunião feita há cerca de um mês.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão, disse que o setor reclamou das dificuldades em obter recursos da Caixa Econômica Federal para capital de giro. Segundo ele, dos R$ 3 bilhões anunciados no fim de outubro para ajudar o setor, só R$ 50 milhões foram emprestados, por causa das exigências de garantias. "Está parado, não resolveu nada. A ideia era que o empreendimento, com seus recebíveis e com seu fluxo de caixa, também servissem de garantia. Mas a Caixa não está aceitando.

Ela aceita os recebíveis e quer garantias externas, o que inviabiliza a operação." Segundo ele, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, vai discutir o problema com a Caixa. Safady informou também que o pacote de habitação popular, que está sendo discutido pelo governo, não deve ser anunciado antes do dia 15.

Ainda sob o impacto do déficit de US$ 518 milhões na balança comercial de janeiro e da queda de 12,4% na produção industrial, os setores têxtil e siderúrgico bateram forte contra a reação do governo brasileiro à onda de protecionismo que se espalha no mundo. Eles cobraram uma reposta mais dura e rápida do Brasil e reclamaram, sobretudo, da China, Índia, Turquia e Rússia - cujos produtos ameaçam "inundar" o Brasil. Um dos presentes chegou a afirmar: "A taxa de protecionismo da China está em 8 pontos porcentuais e a da Índia em mais de 10 pontos, e o Brasil não está fazendo nada". A adoção de medidas protecionistas, porém, foi um ponto de polêmica.

Segundo relato de um dos presentes, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, deu pouca importância à reclamação do Instituto Brasileiro de Siderurgia, afirmando que as queixas em relação à importação de "chapas grossas" de aço têm mais de 30 anos.

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, Paulo Godoy, defendeu no encontro a criação de um novo fundo de infraestrutura - de no mínimo R$ 10 bilhões - para investimentos no setor. Com esse fundo, segundo ele, a Caixa e o Banco do Brasil poderiam fazer empréstimos-ponte para projetos de infraestrutura já aprovados pelo BNDES, garantindo desembolsos mais rápidos até que os recursos dessa instituição sejam liberados. Godoy disse que os desembolsos do BNDES são demorados e, dependendo da dimensão do investimento, a espera pode ser de oito a dez meses.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Luiz Aubert Neto, disse que a escassez de crédito para as empresas ainda é um problema não resolvido. Ele acrescentou que os juros piora o quadro, porque as instituições financeiras preferem aplicar em títulos do governo, que oferecem alta remuneração pela Selic.

Segundo os empresários, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pouco falou, limitando-se a intervenções pontuais. "O silêncio do Meirelles foi eloquente", afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto. "Nós achamos que o BC está na cadência errada. Há espaço para redução mais forte da Selic." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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