Washington, 19 set (EFE) - O Governo dos Estados Unidos anunciou hoje uma série de medidas para enfrentar a grave crise financeira mundial, na qual investirá centenas de bilhões de dólares. Estas são algumas das soluções antecipadas pelo Executivo americano: - Intervenção no mercado de títulos imobiliários. As firmas hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae, que sofreram a intervenção do Governo neste mês para evitar seu colapso, aumentarão as compras de ativos garantidos por hipotecas. O Tesouro também ampliará um programa já em andamento para adquirir diretamente esses títulos, segundo Paulson. - Intervenção no mercado monetário (money market). O Federal Reserve (Fed, banco central americano) oferecerá temporariamente garantias de até US$ 50 bilhões para assegurar os fundos mútuos que investem no mercado monetário. Esse mercado é essencial para o funcionamento da armação financeira, porque fornece capital a curto prazo e a juros baixos aos bancos. Esse tipo de fundos mútuos eram considerados os investimentos mais seguros.

No entanto, esta semana, um deles, o Reserve Money Market Fund, anunciou que não poderia devolver aos investidores seu capital devido às suas perdas pelas compras de dívida do Lehman Brothers, um banco de investimento que pediu concordata na segunda-feira.

- Proibição até 2 de outubro de operações de venda a descoberto ("short sale") em bolsa.

Essas operações permitem ataques especulativos para baixar as ações de uma empresa, o que, segundo alguns analistas, aumentou a volatilidade das bolsas.

As ações consistem em tomar emprestadas ações de um investidor institucional como um fundo de pensões, vendê-las em massa para que seu preço caia e, depois, comprá-las a um valor menor.

A proibição, emitida pela Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC, em inglês), afeta as ações de 799 instituições financeiras, incluindo os dois últimos grandes bancos de investimento independentes, Goldman Sachs e Morgan Stanley, cujos ativos tinham desabado nesta semana.

O Reino Unido adotou, na quinta-feira, uma medida similar, por quatro meses.

- Compra de dívida de má qualidade dos bancos Esta será a parte mais cara do plano da Administração e deve ser aprovada pelo Congresso. O Governo comprará dos bancos a dívida de má qualidade em seus balanços.

Não adquirirá, no entanto, entidades inteiras em problemas, como foi o caso durante a última crise, no final dos anos 1980. Não ficou claro ainda se o departamento do Tesouro ou o Fed farão as compras diretamente ou se será criada uma agência especial para essa função.

Os detalhes desta parte do plano serão estipulados este fim de semana entre os líderes do Congresso e do Governo, que quer que o Legislativo o ratifique na próxima semana. EFE cma/db

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