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Medida só trouxe dor de cabeça para governo

A decisão da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, de aumentar os impostos das exportações de produtos agrícolas causou até agora mais problemas do que resultados para seu governo. No dia 11 de março, quando o então ministro da Economia, Martín Lousteau, anunciou os decretos que implementavam esses aumentos, o governo pretendia obter uma arrecadação de mais de US$ 2 bilhões neste ano com o imposto agrário.

Agência Estado |

Assim, facilitaria o superávit fiscal de 2008, proporcionando mais fundos para sua política assistencialista, que tem um olho nas eleições parlamentares do ano que vem.

Além disso, a medida de Cristina também pretendia colaborar no combate à inflação, já que os pesados tributos levariam muitos produtores agrícolas a redirecionar suas vendas para o mercado interno, em vez de exportá-las, o que teria impacto direto no preço dos alimentos pago pelos consumidores argentinos.

No entanto, a decisão de Cristina só causou dor de cabeça para o governo. O imposto agrícola causou uma imediata rebelião dos ruralistas, que desataram quatro paralisações em quatro meses, praticamente interrompendo a atividade econômica no interior do país.

O ministro Lousteau foi demitido em meio aos protestos. Enquanto isso, outros ministros começaram a balançar em seus cargos. Ao ver sua mulher enfraquecida, o ex-presidente Néstor Kirchner interferiu abertamente no governo, radicalizando as medidas e seu discurso.

Desabastecimento

Os protestos ruralistas, que incluíram piquetes nas estradas, causaram o colapso do transporte rodoviário, levando ao desabastecimento de produtos alimentícios e industriais nos principais centros urbanos da Argentina.

A escassez de produtos intensificou a escalada inflacionária e esfriou o consumo. Os investidores, ao ver a teimosia de Cristina, que rejeitou negociações com os ruralistas, assustaram-se e engavetaram os investimentos. Agora, os economistas prevêem uma recessão, que se iniciaria entre o terceiro e o quarto trimestre deste ano.

Diversos agricultores decidiram fazer as malas e comprar fazendas no Uruguai, onde o governo, segundo eles, é mais "amigável" com os investidores e não aplica guinadas inesperadas na política econômica, ao contrário do que ocorre na Argentina.

O imposto agrícola de Cristina e todos os efeitos econômicos que causou também tiveram impacto negativo em sua popularidade, que encolheu drasticamente. Na esfera política, a presidente também se enfraqueceu com a perda de aliados importantes.

Queda

A pequena cidade de Las Parejas, na Província de Santa Fe, é um dos exemplos da ascensão e queda de Cristina. Ali, nas eleições presidenciais de outubro, ela teve seu melhor desempenho, ao obter 80% dos votos - na votação geral, em todo o país, ela conseguiu 45%. Nove meses depois, o nome de Cristina é execrado na cidade, que se transformou em um dos mais ativos pólos de protestos ruralistas.

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