O setor automotivo espera que as medidas anunciadas ontem, especialmente a isenção do IPI para carros com motor 1.0 e a redução de 50% na alíquota cobrada dos modelos maiores interrompa a queda nos negócios.

Em outubro, as vendas de carros caíram 11% ante setembro. Em novembro, houve nova redução de 28% e, nos dez primeiros dias de dezembro a queda está em quase 10% face ao mesmo período do mês passado.

O corte do IPI dos carros populares, cuja alíquota é de 7%, deve ter uma repercussão de 5% a 6% no preço público, segundo cálculos do presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze. O Uno Mille, que custa na tabela R$ 23,4 mil, terá desconto extra de R$ 1,1 mil a R$ 1,4 mil.

"A primeira impressão é a de que as medidas vão interromper a queda nas vendas e, depois, pode ser que haja retomada do mercado, mas são necessárias medidas complementares", diz Reze. Antes do governo anunciar as medidas, a Fenabrave projetava queda de 19% no mercado de automóveis e comerciais leves em 2009, para cerca de 2,15 milhões de unidades. "Agora vamos esperar a repercussão das medidas para avaliar as previsões."

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, o conjunto de medidas "vai gerar energia e retomada da atividade econômica". Todo o benefício do imposto será repassado ao consumidor, disse o executivo. Ele acredita que os descontos que vinham sendo anunciados serão mantidos e somados à queda do IPI.

"É uma oportunidade de alavancar vendas e, diante da competição no mercado, os descontos não vão desaparecer", afirma o diretor da Ford, Rogelio Golfarb.

Com estoques de 305 mil veículos, suficientes para dois meses de vendas, as montadoras vinham promovendo feirões e ações nas lojas. Neste fim de semana, a GM realizará seu quinto feirão consecutivo na fábrica de São Caetano do Sul. A Volkswagen promove o segundo feirão seguido na fábrica de São Bernardo do Campo e outras marcas anunciarão ações hoje.

As montadoras já haviam sido beneficiadas por um pacote de ajuda de R$ 4 bilhões em crédito para o financiamento dos veículos pelo Banco do Brasil e mais R$ 4 bilhões pela Nossa Caixa. A medida pouco ajudou nas vendas, pois as regras para liberar crédito estão mais rigorosas e o mercado de carros usados está paralisado.

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