SÃO PAULO - A Medial, uma das maiores operadoras de planos de saúde do mercado, encerrou o quarto trimestre do ano passado com um prejuízo de R$ 15 milhões, em comparação a um lucro líquido de R$ 800 mil no mesmo período de 2007. O resultado negativo é reflexo, principalmente, de uma amortização de ágio de aproximadamente R$ 54 milhões referente à aquisição do plano de saúde Amesp, adquirido por R$ 253 milhões em 2007.

Descontando essa despesa extraordinária, a Medial teria encerrado o último trimestre com lucro líquido (ajustado) de R$ 1,5 milhão. Porém, o valor representaria uma queda expressiva quando comparado ao mesmo período de 2007, quando o lucro somou R$ 21,4 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida), entre setembro e dezembro de 2008, foi de R$ 12 milhões ante R$ 29,1 milhões em igual trimestre do ano anterior.

Já a receita líquida, proveniente das contraprestações do plano de saúde e dos hospitais próprios da operadora, avançou 11,2%, somando R$ 510,6 milhões nos últimos três meses de 2008. " Esse aumento no faturamento é resultado do aumento na nossa base de clientes. Nossa carteira de beneficiários cresceu de 1,4 milhão para 1,8 milhão de vidas no ano passado " , explicou Emílio Carazzai, presidente da Medial. O maior crescimento ocorreu entre as pequenas e médias empresas, que hoje representam 22% da receita da companhia.

Além da amortização do ágio, a operadora contabilizou outros gastos extraordinários que impactaram a última linha da demonstração de resultados. Entre eles, estão aumento nas despesas com comercialização de planos de saúde, que totalizaram no ano passado R$ 117 milhões, quase R$ 40 milhões a mais em relação a 2007, além de terceirização do call center e dispensa de funcionários.

No comparativo dos 12 meses a Medial saiu de um lucro contábil de R$ 19,4 milhões em 2007 para um prejuízo de R$ 162 mil no ano passado. Retirando as despesas extraordinárias, a operadora teve lucro líquido (ajustado) de R$ 63,7 milhões em 2008, pequena queda em relação aos R$ 65 milhões apurados em 2007. Levando-se em consideração todo o ano, a receita líquida também teve desempenho positivo, saindo de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,9 bilhão. O lajida no ano passado foi de R$ 12 milhões, o que equivale R$ 17 milhões a menos quando comparado a 2007.

A companhia encerrou o ano com caixa de R$ 220 milhões, sendo que R$ 108 milhões são para provisões técnicas. Diante da crise econômica, a Medial decidiu que não usará os outros R$ 112 milhões para investimentos. " O mercado está muito volátil. Não vamos usar esses recursos para construir hospital. Vamos fazer um colchão. Quero terminar 2009 com um caixa maior do que no começo do ano " , afirmou Carazzai.

Segundo o executivo, a construção de seus novos hospitais será tocada com recursos obtidos no mercado como, por exemplo, fundo imobiliário. Ele afirmou que os novos hospitais planejados desde o ano passado deverão ser concluídos daqui quatro ou cinco anos. Atualmente, a operadora tem um hospital em construção que deverá ficar pronto no primeiro semestre de 2010.

(Beth Koike | Valor Econômico)

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