SÃO PAULO - Quatro meses depois de anunciar a aquisição das empresas CanaVialis e Alellyx junto ao grupo Votorantim, por US$ 290 milhões, a Monsanto fechou outro negócio que fortalece sua presença no mercado brasileiro de sementes, sobretudo geneticamente modificadas: a multinacional comprou do grupo Maeda a participação de 49% que ainda não possuía na MDM, companhia com foco no mercado de algodão, convencional e transgênico. Neste caso, o valor do negócio não foi divulgado pelas partes.

De acordo com Laércio Bortolini, gerente de Negócios Algodão da Monsanto no Brasil, a aquisição comprova a confiança da múlti na evolução da produção de algodão no país. " Também acreditamos na liberação de novas tecnologias nessa área " , afirmou. Em setembro, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, aprovou a liberação comercial do algodão transgênico Roundup Ready (tolerante a herbicida), desenvolvido pela Monsanto. Outro transgênico da empresa, a variedade de algodão Bollgard (tolerante a insetos), já havia sido liberada em 2005.

Bortolini lembra que o mercado brasileiro de sementes de algodão ainda é relativamente pequeno. Descontada a área que costuma utilizar sementes " salvas " , multiplicadas pelos produtores, restam cerca de 400 mil hectares a serem plantados. Nesta área, são quatro as principais concorrentes, com participações mais ou menos iguais: além da Monsanto, há sementes à disposição da Embrapa, da Fundação Mato Grosso e da alemã Bayer.

O executivo também informou que, no caso da MDM, as vendas são dividas entre sementes convencionais e transgênicas em partes iguais. A Monsanto tinha 49% da MDM, que foi criada em 1999, desde 2007. Herdou a participação da americana Delta & Pine, comprada naquele ano.

Conforme Fábio Medeiros, CEO do grupo Maeda, a venda da participação na MDM faz parte de uma estratégia que visa consolidar sua posição como grande operador agrícola nacional. " Queremos alinhar os nossos investimentos na área agrícola " , afirmou o executivo. Segundo Medeiros, os negócios envolvendo a MDM já estavam distantes do foco do grupo, que é se concentrar na produção agrícola.

Ainda que não tenha revelado o valor do negócio, o executivo adiantou que os recursos obtidos deverão ser aplicados na área agrícola. " A ideia é investir no crescimento da área plantada, mecanização e infraestrutura " .

Com faturamento projetado em até R$ 350 milhões para esta safra 2008/09, o grupo conta com área plantada total de 85 mil hectares, dos quais soja representa quase 70% do total; o algodão, antes carro-chefe, tem entre 20% e 25%, e o milho, o restante. A cana ocupa 10 mil hectares.

Em 2008/09, o grupo aumentou o plantio em 50%, aumentando sua participação em grãos. Os Maeda também estão elevando apostas em Goiás e Minas. Em Goiás, o grupo possui participação de 25% na Tropical Bioenergia, usina de etanol instalada em Edéia (GO), em sociedade com British Petroleum (BP) e Santelisa Vale.

(Mônica Scaramuzzo e Fernando Lopes | Valor Econômico)

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