Os candidatos à Casa Branca Barack Obama e John McCain realizaram seu primeiro debate das eleições presidenciais, nesta sexta-feira, discutindo a crise financeira, a guerra no Iraque, a frente afegã e a ameaça da Rússia a seus vizinhos.

Obama e McCain fizeram um debate tranqüilo, sem excessos, e ao que parece sem um vencedor claro.

Repetindo seus recentes ataques ao caos regulatório que se criou durante a administração republicana, Obama disse que a atual crise é "o resultado de oito anos de políticas republicanas fracassadas promovidas pelo (presidente) George W. Bush, apoiado pelo senador McCain".

O democrata lembrou que, na semana passada, McCain disse que a economia americana era "fundamentalmente forte". Obama defendeu um plano de ajuda para mutuários e cortes de impostos para restaurar a prosperidade da classe média americana.

Insistindo que sua atitude no Senado foi a de alertar os outros sobre a crise iminente, McCain disse que "muitos de nós exergaram este trem descarrilando".

O senador do Arizona, porém, declarou sentir-se "um pouco melhor hoje", uma vez que os líderes do Congresso se encaminhavam para um consenso após a apresentação de novos pontos para o plano financeiro por legisladores republicanos, com o objetivo de evitar que os gastos desse resgate recaíssem sobre contribuintes e pequenos investidores.

Os dois candidatos afirmaram ser a favor de um esforço de urgência no Congresso para aprovar o pacote de resgate bancário de 700 bilhões de dólares.

"Este não é o começo do fim desta crise. Este é o fim do começo se nós conseguirmos aprovar um pacote que mantenha essas instituições estáveis, e temos muito trabalho a fazer", afirmou McCain.

Sobre política externa, o tema original do debate, McCain afirmou que os Estados Unidos estão "vencendo no Iraque", enquanto Obama insistiu em criticar a guerra, como fez desde o início.

Obama argumentou que "tiramos nossos olhos da bola", referindo-se à decisão do governo Bush de desviar recursos militares do Afeganistão para o Iraque; e McCain insistiu em que o centro da guerra contra o terrorismo é o Iraque.

McCain destacou o sucesso do "aumento" de tropas no Iraque, algo defendido por ele e rejeitado por Obama: O reforço "teve êxito e agora estamos vencendo no Iraque, e voltaremos para casa com honra e a vitória".

Obama retrucou dizendo que McCain "gosta de fingir que a guerra começou em 2007. Você fala sobre o aumento de tropas. A guerra começou em 2003. E no momento em que a guerra começou você disse que ela seria fácil e rápida".

O candidato democrata insistiu em que o problema está no Afeganistão e afirmou que lançaria ataques contra alvos extremistas no território do vizinho Paquistão caso o governo de Islamabad se recusasse ou se mostrasse incapaz de agir contra a Al-Qaeda e o talibã.

"Se os Estados Unidos tiverem a Al-Qaeda, (Osama) Bin Laden e altos dirigentes (extremistas) à vista e o Paquistão não quiser ou não puder agir, então devemos eliminá-los".

McCain reagiu afirmando que esse tipo de ameaça não se faz e que é algo que não ajuda em nada: "Não se fala esse tipo de coisa assim".

O republicano defendeu "uma nova estratégia" contra a Al-Qaeda no Paquistão: "Vamos ter que ajudar os paquistaneses a penetrar nestas áreas e conquistar a lealdade da população".

Sobre o Irã, o senador republicano advertiu que o programa nuclear iraniano é uma ameaça a Israel e a todo o Oriente Médio. "Não podemos permitir um segundo holocausto" contra os judeus ou uma corrida armamentista na região.

A invasão russa na Geórgia foi severamente criticada por Obama, que advertiu que "uma Rússia reerguida e agressiva" representa uma ameaça à paz regional. "Acho que, levando em conta o que aconteceu nas últimas semanas e meses, toda a nossa abordagem em relação à Rússia precisa ser avaliada".

McCain destacou que é preciso reforçar a aliança com os países sob ameaça e defendeu a adesão de Ucrânia e Geórgia à Otan, além de acusar o senador democrata de falar com "um pouco de ingenuidade" sobre o problema.

"Ele não entende que a Rússia cometeu sérias agressões contra a Geórgia", apontou McCain, argumentando que uma Rússia enriquecida pelo petróleo era "basicamente um governo apparatchik da KGB".

afp/ap/LR

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