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os candidatos republicano e democrata à Casa Branca têm visões radicalmente diferentes em termos de política econômica, a principal preocupação dos americanos num momento em que o país é abalado por uma grave crise financeira.

O republicano John McCain afirma na segunda-feira que os elementos fundamentais da economia eram "sólidos". Respondendo às críticas, ele destacou nesta terça-feira que, para ele, os elementos fundamentais da economia são "os trabalhadores americanos".

O democrata Barack Obama, por sua vez, considera a situação "grave" e culpa os oito anos de governo Bush pela crise financeira atual. Ele avisou que os americanos terão mais quatro anos de crise econômica se elegerem McCain.

Os dois candidatos também divergem sobre as soluções para a crise.

Obama defende uma maior intervenção do Estado, e McCain transformou a redução dos impostos na prioridade de sua política econômica.

Na mesma linha que o presidente George W. Bush, McCain quer diminuir de 35% para 25% o imposto sobre os benefícios das empresas, e tornar permanentes as reduções de impostos concedidas aos que ganham mais de 250.000 dólares por ano. Ele quer reduzir os direitos de sucessão.

Já Obama quer anular as reduções de impostos aos que ganham mais de 250.000 dólares por ano. Ele também quer aumentar de 15% para 25% ou 28% o imposto sobre os lucros do capital e taxar mais os benefícios derivados da especulação na Bolsa.

Ao contrário, ele defende reduções de impostos para as família que ganham menos de 200.000 dólares por ano, ou seja, 94% das famílias americanas. O senador de Illinois também sugere um crédito de imposto anual de 500 dólares por pessoa (1.000 dólares para os casais). Ele também quer isentar de imposto de renda os idosos que ganham menos de 50.000 dólares por ano.

Para compensar um déficit público que pode exceder os 490 bilhões de dólares em 2009, McCain prometeu limitar os gastos federais de interesse local e sugeriu o congelamento por um ano dos gastos federais não militares.

Obama, por sua vez, deseja liberar mais de 200 bilhões de dólares para um plano de recuperação federal, sobretudo para os setores da infra-estrutura e da pesquisa.

Durante as primárias, o senador de Illinois afirmou querer renegociar alguns acordos internacionais, como o Nafta, assinado com o Canadá e o México, para proteger os assalariados americanos e obter melhores cláusulas sobre o meio ambiente. Já McCain defende a ampliação dos acordos de livre-comércio a todos os países, com exceção dos que apóiam o terrorismo.

Obama considera que a estabilização do mercado imobiliário, no centro da crise do crédito, é uma prioridade. Ele deseja conceder aos proprietários com dificuldades financeiras um crédito de imposto cobrindo 10% dos juros anuais de suas hipotecas. Ele pretende criar um fundo de 10 bilhões de dólares, parcialmente financiado por multas aplicadas aos emprestadores "irresponsáveis", para evitar as apreensões de imóveis, e outro fundo de 10 bilhões de dólares para ajudar os estados e as regiões abaladas pela crise imobiliária. Ele deseja instaurar um novo programa federal de alojamento para transformar os empréstimos hipotecários de risco em empréstimos com taxa de juros fixos por 30 anos.

Por sua vez, McCain pretende trabalhar com uma rede de agências de regulação e lhes dar as prerrogativas necessárias para garantir a transparência dos mercados financeiros e do sistema de empréstimos.

aje/yw

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