A crise na Grã-Bretanha, a segunda maior economia da Europa, está se agravando, comprovaram nesta quarta-feira relatórios desanimadores que apontam para uma queda da atividade econômica nos últimos meses de 2008 e que prevêem uma retração de 2% para o próximo ano.

Enquanto isso, a libra esterlina caiu nesta quarta-feira em relação ao euro ao menor nível desde a criação da moeda única européia, em 1999, arrastada pelas más notícias econômicas.

A libra caiu a 1,1390 euro nas primeiras negociações européias, no momento da publicação de novos informes confirmando que a economia britânica está em recessão, situação definida tecnicamente por um crescimento econômico negativo durante pelo menos dois trimestres consecutivos.

Segundo o relatório do National Institute for Economic and Social Research (NIESR), um instituto privado de pesquisa, o PIB (Produto Interno Bruto) britânico caiu 1% nos últimos três meses.

O NIESR revisou também em baixa a previsão da atividade econômica do período agosto-outubro, para menos 0,8% em vez de menos 0,5% previsto inicialmente, confirmando o diagnóstico sombrio para a economia britânica, que decresceu em 2008 pela primeira vez em 16 anos.

"Tudo leva a pensar que a queda da atividade na Grã-Bretanha, segunda economia da Europa, será mais importante do que se previa para os últimos três meses do ano", indicou o NIESR.

Segundo outro instituto, o Global Insight, a economia britânica vai continuar recuando em 2009. A queda do PIB no próximo ano será de 2%, em vez de 1,5% previsto há alguns meses, advertiu.

"A economia britânica não vai se recuperar antes de 2010", indicou Howard Archer, chefe economista para a Europa da Global Insight.

Estes diagnósticos sombrios não são uma surpresa, pois todos os indicadores recentes confirmam o enfraquecimento da economia da Grã-Bretanha, em conseqüência da crise de crédito e da derrubada do mercado imobiliário, o que provocou uma forte alta do desemprego e uma queda do consumo.

As exportações registram baixa superior a 3%, apesar da desvalorização da libra.

A contração da economia britânica pode ser explicada também pelo recuo dos setores hoteleiro, de restaurantes e manufatureiro, que sofreram impacto pela queda dos gastos do consumidor, deprimidos pela crise financeira, e a queda do valor dos imóveis.

O governo de Gordon Brown - que embora culpe a crise global por esta situação já admitiu que o país está caminhando para a recessão - anunciou no final de novembro um plano anticrise de 20 bilhões de libras (30,8 bilhões de dólares) marcado por uma queda do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA).

As más notícias britânicas coincidem com o anúncio de que a Itália entrou oficialmente em recessão no terceiro trimestre do ano, com uma contração de 0,5% de seu PIB.

O Banco Central Europeu (BCE) prevê uma recessão na zona euro em 2009, com um recuo de 0,5% do PIB, enquanto alguns analistas acreditam que os EUA, a maior economia do mundo, também já está em recessão.

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