SÃO PAULO - Nas campanhas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) há um consenso: o candidato tucano, que saiu do empate técnico com a líder Marta Suplicy nas pesquisas de opinião para cair em um nível próximo de Kassab, o terceiro colocado, já chegou ao seu piso nas sondagens de intenção de voto.

As pesquisas de consumo interno dos comitês de campanha, feitas diariamente pelo modelo conhecido como tracking , mostram o candidato tucano estável há alguns dias em um nível inferior ao mostrado nas pesquisas divulgadas na semana passada, mas ainda bem à frente do candidato do DEM, que segue em crescimento muito pequeno. A avaliação de petistas, tucanos e integrantes do DEM é que o quadro indica a realização de 2º turno, tendo a petista presença garantida na segunda rodada. A vitória da Marta Suplicy (PT) no primeiro turno é vista como remota no PT e no DEM e impossível no PSDB alckmista.

Segundo o coordenador da campanha de Alckmin, o deputado Edson Aparecido (PSDB-SP), e integrantes da campanha de Kassab, o candidato tucano perdeu fôlego em razão da falta de volume de campanha. Nas últimas semanas, apoiadores de Marta e de Kassab fizeram visitas domiciliares na periferia, técnica considerada eficiente para captar votos. A campanha na televisão não foi determinante para o movimento nas pesquisas. A imensa maioria das pessoas que entrevistamos não assistiram nem ao primeiro, nem ao segundo programa , disse o tucano.

Na avaliação de integrantes do DEM, os votos de Alckmin nas últimas semanas migraram majoritariamente para os indecisos. Um grande contingente dos eleitores de Alckmin optavam pelo tucano por serem fundamentalmente anti-petistas. Como Kassab também disputa o anti-petismo, determinada parte dos eleitores decidiu aguardar para observar qual dos dois derrotará Marta mais facilmente , opinou um estrategista de Kassab.

Segundo tucanos e integrantes do DEM, a rejeição individual a Marta é a segunda maior entre todos os candidatos, excetuando Paulo Maluf (PP). E a eleição em São Paulo é excepcionalmente pulverizada, com quatro candidatos acima de dois dígitos nas pesquisas. Estes dois fatores afastam a hipótese de vitória de Marta no primeiro turno.

O próprio PT trabalha com dois turnos. E aposta que a segunda rodada aconteceria contra o PSDB. Para os petistas, a possibilidade de Marta vencer no primeiro turno só aconteceria se a candidata atingisse mais de 47%, o que consideram improvável. Marta já fala abertamente que está investindo em estratégias para o segundo turno. A principal delas é tirar mais vantagem da divisão do PSDB com o DEM. Se houver segundo turno, o PT tentará atrair o apoio de Kassab, que reúne os tucanos rebelados contra Alckmin,
Ontem, a petista deu uma demonstração da relação cordial que procura manter com a campanha de Kassab. Ela elogiou o secretário dos Esportes de Kassab, Walter Feldmann, tucano histórico e um dos principais críticos a Alckmin. Após um debate presidido pelo ex-governador Cláudio Lembo, apoiador de Kassab, na Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Marta recebeu elogios de Lembo, que disse ter gostado do tom da candidata. Lembo comentou a falta de verbas na campanha tucana: Parece que a fadiga dos metais atingiu mais a figura do Alckmin, porque não tem sido genérico o pouco investimento em campanhas. Creio que Alckmin deveria refletir mais , disse.

As pesquisas realizadas pela campanha de Marta trazem índices semelhantes ao do Datafolha, na qual a petista tem 41% das intenções de voto, seguida por Alckmin, com 24% e Kassab, 14%. Segundo o coordenador da campanha petista, Carlos Zarattini, os votos que Alckmin perdeu foram, em sua maioria, para Marta. É falsa a idéia de que o eleitor que vota em Alckmin votaria também em Kassab , comentou Zarattini.

Para o PT ainda não é preocupante a taxa de rejeição de Marta. À medida em que aumentar a intenção de votos dela, diminuirá a rejeição , disse Zarattini. A taxa de Marta é de 31%. Kassab tem o mesmo índice e Alckmin tem 18%, segundo o Datafolha.

(César Felício e Cristiane Agostine | Valor Econômico)

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