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Marcopolo pode parar produção russa

PORTO ALEGRE - A turbulência financeira internacional pode levar a Marcopolo a paralisar temporariamente, nos três ou quatro primeiros meses de 2009, a produção de ônibus na Rússia, país onde instalou no ano passado uma joint venture com a fabricante local Ruspromauto. Segundo o diretor de relações com investidores da companhia, Carlos Zignani, a decisão será tomada em dezembro, quando os sócios farão uma nova avaliação dos desdobramentos da crise no mercado russo.

Valor Online |

Por enquanto, a empresa suspendeu a compra de chassis e componentes naquele país e, até o fim do ano, usará apenas os estoques existentes. Mesmo assim, a previsão de 500 a 550 unidades produzidas e de receita de US$ 48 milhões na Rússia em 2008 estão mantidas. Já o cumprimento das projeções para 2009 (1 mil ônibus e receita de US$ 77 milhões) dependerá da análise de dezembro.

A Marcopolo tem operações também na Argentina, Colômbia, México, Portugal, África do Sul, Índia e uma fábrica de componentes na China. " Mas a Rússia é o único mercado em que atuamos que apresentou problema " , disse. Para ele, além da " escassez muito forte " de crédito e da alta inflação, os fabricantes locais estão sendo prejudicados pela importação de grandes volumes de ônibus chineses.

Os efeitos da crise financeira global, entretanto, não foram suficientes para alterar a previsão de R$ 2,4 bilhões de receita líquida consolidada para este ano, ante R$ 2,1 bilhões em 2007, e de uma alta de 17,8 mil para 21 mil no volume de unidades produzidas, afirmou Zignani. " A carteira de encomendas já garante o cumprimento da meta e já há alguns pedidos para 2009, especialmente para exportações a partir do Brasil. "
Para 2009, a expectativa é que a produção no Brasil repita as 13,44 mil unidades previstas para este ano, enquanto no exterior o volume pode crescer além dos 7,56 mil de 2008 - apesar dos problemas na Rússia - devido à maior competitividade proporcionada aos produtos pela desvalorização do real. Além disso, só a fábrica no Egito em associação com o fabricante local GB Auto, que entrará em operação em julho, deve fabricar 1,5 mil ônibus no exercício. No terceiro trimestre de 2008, a produção consolidada somou 6,11 mil unidades e, no acumulado até setembro, 16,34 mil.

De julho a setembro, a Marcopolo obteve receita líquida consolidada de R$ 679,1 milhões, com alta de 24,3%, sendo R$ 447,7 milhões no Brasil (crescimento de 30,1%) e R$ 231,4 milhões no exterior (expansão de R$ 14,3%). O lucro líquido, porém, caiu de R$ 33,9 milhões para R$ 25,9 milhões, devido ao resultado financeiro líquido negativo de R$ 28,6 milhões.

Segundo o diretor, as despesas financeiras foram provocadas pelas perdas contábeis de R$ 28,8 milhões causadas pela valorização do dólar nas operações com derivativos feitas como proteção cambial das carteiras de pedidos. Mas, segundo Zignani, as perdas serão revertidas na medida em que os produtos forem embarcados. Se o dólar ficar acima de R$ 1,91, que foi a taxa usada como referência, a recuperação se dará na margem bruta maior gerada pelo faturamento mais elevado em reais. Se ficar abaixo disso, a recuperação virá pela receita financeira. " As operações não são especulativas " , disse.

(Sérgio Bueno | Valor Econômico)

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