O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que a modernização do marco regulatório cambial brasileiro pode passar por mudanças na lei que rege o sistema. Nesse caso, haveria a necessidade de um projeto a ser encaminhado ao Congresso.

Segundo Meirelles, a alteração da lei é uma das possibilidades, juntamente com medidas a serem tomadas pelo Banco Central, Conselho Monetário Nacional (CMN) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "O processo está no início e ainda não temos respostas", afirmou a jornalistas, após palestra na Universidade de Oxford.

No momento, o BC está enviando ao Congresso um projeto para alterar a Lei 4.131, nos pontos que tratam da liquidação e recuperação de bancos.

O presidente do Banco Central disse que o objetivo das mudanças no marco cambial está voltado ao longo prazo, e não para a administração imediata da taxa de câmbio. "Um sistema mais eficiente cria uma base mais estável para o crescimento do PIB no futuro."

Segundo ele, a intenção é modernizar o sistema, feito no passado para um ambiente cujo objetivo era impedir a saída de dólares. Meirelles voltou a afirmar que preferiu anunciar a intenção do BC sobre o assunto para garantir a transparência e impedir especulações.

Conforme Meirelles, as operações de carry trade, que acabam estimuladas pelo diferencial de juros entre os países, não são relevantes para o fluxo ao Brasil neste momento. As principais fontes de entrada de recursos, reiterou, são os investimentos externos diretos e o mercado de ações.

CONSISTENTE

A uma plateia de cerca de 150 pessoas na Universidade de Oxford, Meirelles afirmou que a recuperação da economia brasileira tem sido gradual, mas é consistente. Ele avaliou que as medidas adotadas durante a crise para injetar liquidez nos mercados financeiros funcionaram e possibilitaram a retomada, com a criação de empregos e a recuperação das vendas de veículos.

Segundo Meirelles, o desempenho brasileiro está trazendo de volta a teoria do descolamento, que havia sido demolida após o colapso do Lehman Brothers, em setembro do ano passado. Ele lembrou que alguns setores, como as vendas no varejo, não chegaram a ser afetados, por causa da sustentação da demanda doméstica.

"A crise foi muito menos severa no Brasil. Durou três meses." O presidente do BC explicou o processo de estabilização econômica no Brasil desde 1999 e os sistemas de responsabilidade fiscal e metas de inflação, que permitiram a solidificação dos fundamentos e uma posição favorável em meio à crise internacional. "No passado, (a teria sido um desastre." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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