RIO - A sugestão dada pelo governador de São Paulo, José Serra, de que o Brasil deveria aumentar os esforços para realizar acordos bilaterais em detrimento das negociações multilaterais fez com que integrantes do governo federal defendessem a estratégia adotada pelo país. De acordo com o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, os acordos bilaterais são tão ou mais difíceis que os acordos multilaterais.

Garcia lembrou que o acordo bilateral com os Estados Unidos para o setor de biocombustíveis não produziu os resultados esperados e as taxas de importação de etanol continuaram as mesmas no território norte-americano.

Acordos bilaterais não são a salvação da lavoura. Não compartilho a idéia de aumentar esforços para buscar acordos bilaterais, frisou Garcia, que participou hoje do Fórum Especial, promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no Rio de Janeiro.

O assessor especial ressaltou ainda não acreditar que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) esteja envolvida institucionalmente no caso do grampo no gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Tenho certeza que a Abin como instituição não está envolvida. Pode ter sido gente da Abin, pode ser inclusive que tenha sido gente de fora que esteja tentando jogar isso nas costas da Abin, afirmou Garcia.

Segundo ele, deve-se tentar encontrar quem pode ter sido beneficiado pela gravação. Beneficia ao governo? Não. Beneficia ao Poder Judiciário? Não. Beneficia ao Senado? Não. Cada um tira as suas conclusões sobre quem beneficia, disse, evitando fazer ilações sobre quem seriam essas pessoas.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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