Tamanho do texto

SÃO PAULO - Executivos do alto escalão reunidos hoje na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reagiram com naturalidade à divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao primeiro semestre deste ano, que mostrou crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2007. O que realmente centralizou os comentários foi a importância da continuidade da expansão econômica, que passa necessariamente pela questão dos juros e do controle da inflação.

O presidente da Fiat, Cledorvino Belini, afirmou que o desempenho do PIB era, de certa forma, esperado. Na sua avaliação, o controle da inflação é a tarefa mais importante para o governo continuar pavimentando a estrada do crescimento econômico. Mesmo elogiando a postura do Banco Central (BC), que avaliou como assertivas, o executivo lembrou da importância do corte dos gastos públicos para o controle da inflação.

Na mesma linha, o presidente do conselho de administração da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, sinalizou que não será por falta de investimentos que o país deixará de crescer. No entanto, também alertou para a importância do controle inflacionário, dizendo que o BC terá que calibrar a Selic levando em conta as pressões inflacionárias externas à taxa de juros doméstica. Você pode ter o juro que quiser, mas ele não controla a inflação (de alimentos). Se corrigir sempre pelo juro, pode dificultar a estrutura do crescimento, afirmou o executivo.

Para o presidente da Construtora Norberto Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, o Brasil deve lançar seu foco sobre os fatores que dificultam do crescimento, como déficit de infra-estrutura e de educação. Se a gente resolver esses entraves, não existe nada que impeça o Brasil de crescer muito mais, afirmou Odebrecht.

Mais áspero, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, elogiou o crescimento do PIB, porém preferiu centrar seu fogo sobre a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que divulgará hoje a nova Selic. Para Skaf, não há motivos para uma alta no juro, visto que a pressão inflacionária, puxada pelos preços dos alimentos, já amainou. A única razão, se os juros aumentarem, é pura vaidade, é querer mostrar que não erraram da vez anterior, disse o dirigente, referindo-se às últimas elevações da Selic, que segundo ele não serviram para controlar a inflação.

Apesar do descontentamento com os juros, Skaf informou que a Fiesp aumentou de 4,8% para 5,4% a sua projeção para a expansão do PIB em 2008.

Os executivos participaram hoje de reunião do Conselho Superior Estratégico da Fiesp.

(Murillo Camarotto | Valor Online)