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Manter empregos depende de crédito, afirma Dilma

BRASÍLIA - A ministra-chefe da Casa Civil, ministra Dilma Roussef, afirmou ontem, depois de evento promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Brasília, que a melhor forma de evitar o desemprego no país é manter a economia aquecida e a indústria em atividade constante, mesmo com a desaceleração prevista para os próximos meses. Ela disse que o governo tem mantido conversas com os diversos setores empresariais, mas admite que, para haver êxito, é fundamental resolver em definitivo a questão do crédito.

Valor Online |

" Ninguém mantém o emprego de forma artificial. Precisamos destravar a questão do crédito para poder ter uma conversa desse nível com os empresários " , afirmou ela.

Emprego também foi um dos assuntos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele contou que telefonou para o presidente da Vale, Roger Agnelli para questionar a demissão de 1,3 mil funcionários no mundo, anunciada na quarta-feira. Segundo Lula, Agnelli explicou que foram dispensados empregados do Canadá e, devido à inovação tecnológica e à informática, demitiu outros que trabalhavam em escritórios. Otimista, Lula citou que o presidente da maior empresa privada do país ressaltou que a Vale contratou 6,2 mil funcionários neste ano.

" Se mostramos apenas uma cor, não permitimos que as pessoas vejam que o mundo tem um colorido além da cor apresentada " , observou o presidente, que disse ainda se sentir um Dom Quixote em relação ao Brasil e à crise financeira mundial, durante evento no Rio de Janeiro. " Às vezes me sinto como o Dom Quixote, me sinto sozinho tentando pregar um otimismo de uma coisa muito prática, que é fazer a economia girar " , afirmou.

Para Lula, o país hoje tem um mercado interno forte e que não pode parar de consumir, além de deter uma boa situação nas reservas. Para o presidente, dos países integrantes do G-20, o Brasil é o mais preparado para enfrentar a crise. " Estou convencido que essa crise não deve ser vendida como se fosse uma catástrofe, ela tem que ser vendida como se fosse uma oportunidade para esse país sair dela mais preparado do que entrou " , afirmou.

Apesar das diversas medidas anunciadas pela equipe econômica, o Executivo reconhece que os efeitos benéficos do aumento da liberação dos compulsórios e outras ações para garantir uma maior liquidez ao mercado ainda não atingiram a ponta da cadeia produtiva. " Acho que é possível colocar essa questão para as empresas, até porque é difícil, em um momento de crise, você manter a decisão de investir. Mas se você não mantiver essa decisão, não mantém os empregos " , afirmou Dilma.

A ministra disse que o governo tem instrumentos para diminuir os impactos da crise na economia e no nível de emprego do país. Mas disse que não existe uma " listagem de medidas " nesse sentido, completando que o governo vai procurar atuar em momentos específicos, quando achar que é necessário. Um dos exemplos foi a ação para aumentar o capital de giro das empresas.

Para Dilma, a questão do emprego tornou-se uma questão de honra para o governo. " Essa é uma das questões centrais para nós. Não podemos deixar que a queda no nível de emprego no país comprometa tudo o que conquistamos até agora. " A ministra repetiu o discurso adotado em outras apresentações anteriores, de que o Brasil vive um momento extraordinário na economia e tem todas as condições de enfrentar essa crise melhor do que as turbulências vividas em anos anteriores.

Dilma disse que o Brasil está saindo de um período de pressão inflacionária decorrente do câmbio para uma fase de estabilidade nos preços. " Dificilmente o mundo sofrerá com a inflação. A tendência é a redução nos preços, caminho que será trilhado também pelo Brasil " , disse. Mesmo assim, ela mantém o discurso otimista de que a economia brasileira poderá crescer de 3,5% a 4% no ano que vem. " O momento decisivo será neste ano e no primeiro trimestre de 2009. "
O presidente da CUT, Artur Henrique, cobrou das empresas a manutenção dos empregos no país apesar da crise internacional. Para ele, é inadmissível ver empresas que contraíram empréstimos oficiais não serem capazes de apresentar, como contrapartida, uma política de manutenção dos postos de trabalho. " Vamos pressionar e, se necessário, vamos convocar uma onda de greves para assegurar os direitos dos trabalhadores " , disse o sindicalista.

(Paulo de Tarso Lyra e Ana Paula Grabois | Valor Econômico)

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