BRASÍLIA (Reuters) - O desempenho da economia no segundo trimestre superou as expectativas do governo e aponta crescimento de 5,0 a 5,5 por cento em 2008, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele comemorou os dados divulgados nesta quarta-feira que mostraram forte expansão dos investimentos e elevação dos estoques no segundo trimestre, mas destacou que a demanda das famílias ainda cresce acima do que seria ideal.

'O crescimento é de qualidade porque um dos itens que mais cresceu é o investimento', disse Mantega a jornalistas.

'Devemos terminar o ano com desempenho muito bom, (crescimento do PIB) entre 5 e 5,5 por cento.'

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta manhã que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,6 por cento no segundo trimestre sobre o trimestre imediatamente anterior e 6,1 por cento na comparação com igual período do ano passado.

A formação bruta de capital fixo --uma medida de investimento-- cresceu 5,4 por cento no segundo trimestre ante o primeiro trimestre. A taxa de investimentos atingiu 18,7 por cento do PIB.

Mantega destacou que os estoques mostram que a capacidade instalada das indústrias está sendo suficiente para atender a demanda. Mas ponderou que, apesar de a demanda das famílias ter mostrado acomodação, em linha com o desejado pelo governo, 'nós gostaríamos que desacelerasse mais'.

A demanda das famílias cresceu 6,7 por cento no trimestre sobre o mesmo período de 2007. Para o ministro, o ideal seria um crescimento de 6,0 a 6,5 por cento.

Ele argumentou, contudo, que os dados recentes do PIB retratam decisões tomadas pelos agentes econômicos há pelo menos seis meses. A tendência, de acordo com Mantega, é que a economia dê sinais adicionais de acomodação nos próximos meses por conta da elevação do juro e da desaceleração mundial.

Para 2009, Mantega trabalha com projeção de crescimento de 4,5 por cento.

(Reportagem de Isabel Versiani; Edição de Daniela Machado)

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