O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a economia brasileira está aquecida, mas não “superaquecida”. “Na minha opinião, não identifico inflação de demanda no Brasil.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a economia brasileira está aquecida, mas não “superaquecida”. “Na minha opinião, não identifico inflação de demanda no Brasil. A economia está aquecida, mas não superaquecida. E é preciso parar com essa paranoia de ter de subir juros. Nós vamos conseguir cumprir a meta de inflação em 2010 e 2011.” Na opinião do ministro, que ontem teve uma reunião com o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, no Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, a economia vai continuar crescendo “moderadamente” e o risco de superaquecimento desaparecerá na medida em que haja a retirada de estímulos dados pelo governo para combater a crise, como a isenção ou redução da alíquota do IPI para automóveis e linha branca.

A agência de classificação de risco Moody’s alertou ontem para o risco de superaquecimento do Brasil, reforçando avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Mantega, as avaliações do FMI foram mal interpretadas. “O FMI não está preocupado com superaquecimento”, disse o ministro. Segundo ele, as projeções para o Brasil de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,5% este ano e 4,1% em 2011, e inflação de 5,1% este ano e 4,6% em 2011 mostram uma tendência moderada de crescimento, compatível com a meta de inflação.

Mantega também disse que em outros países emergentes pode haver o risco de bolha de ativos, mas esse não é o caso do Brasil. “No Brasil não tem isso de bolha. A bolsa está estável e o câmbio, com volatilidade menor”, observou. Questionado sobre se deixou de ser um defensor de uma “Selic cadente”, Mantega disse: “Perto da reunião do Copom, eu não digo nem que o juro deve subir nem que deve cair. Cabe ao BC decidir o que fazer”.

Só para os outros

Em entrevista ao The Wall Street Journal, Mantega afirmou que apoia a proposta do FMI de criar uma taxa sobre bancos para um fundo anticrise - mas só para outros países. O FMI fez uma proposta aos países do G-20 de taxação sobre bancos para formar um fundo de socorro a instituições financeiras e prevenção de crises.

Mantega disse que a proposta é uma boa ideia, mas não tem certeza se os bancos brasileiros deveriam pagar alguma coisa. “Talvez seja necessário principalmente nos países que tiveram problemas com seus sistemas financeiros”, disse Mantega disse ao repórter Bob Davis, em entrevista publicada só no blog do jornal. E os bancos brasileiros não se encaixam nessa categoria, teria assegurado Mantega ao jornal, na reportagem intitulada “Brasil pronto para taxa bancárias. Em outros países”.

Segundo o Wall Street Journal, outros governos de países emergentes devem usar o mesmo argumento, o que tornará difícil um acordo do G-20 sobre uma taxa sobre os bancos. Europa e Estados Unidos já manifestaram apoio à proposta, mas o Canadá, anfitrião da próxima reunião do G-20, em junho, se opõe. Mantega também acha que os bancos brasileiros não deveriam arcar com os custos. Segundo ele, os bancos do Brasil não tiveram grandes prejuízos, então não deveriam ter de pagar. “Não é o caso de taxar o sistema financeiro no Brasil”, disse Mantega. Ele também afirmou que vai insistir em atrelar a taxa ao nível de risco de cada instituição - e não uma taxa única no início, como propôs o FMI.

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