O governo quer condicionar a concessão de crédito dos bancos oficiais à criação e manutenção de empregos, mas não sabe exatamente como fazer isso. Ontem, ao anunciar o reforço de R$ 100 bilhões em recursos do Tesouro Nacional para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, frisou que os novos empréstimos terão de ter como contrapartida o emprego.

"Daqui para frente, os créditos estarão condicionados à manutenção do emprego", afirmou. A empresa, ao pedir o financiamento, terá de informar quantos postos de trabalho pretende abrir. "Vamos exigir a explicitação e fiscalizar a sua implementação."

Segundo Mantega, "é fácil fiscalizar" se um financiamento gerou os empregos esperados ou não. Perguntado se haveria punição para a empresa que falhasse em contratar o número prometido de trabalhadores, ele respondeu: "Isso não definimos ainda, mas é impossível haver investimento sem gerar empregos".

O ministro também esquivou-se de informar se as empresas que já demitiram terão negados os pedidos de financiamento. "Não se pode impedir que uma empresa que não recebe benefício do governo na forma de crédito, que não tem crédito adicional, venha a demitir", disse. "Não adianta vir com medidas do tipo quem desempregar será expulso do paraíso."

O BNDES já exige que as empresas candidatas a um crédito informem quantos empregos esperam criar, é um critério para priorizar o pedido. Mas o banco não faz o acompanhamento sistemático para saber se o compromisso foi cumprido. É isso que, segundo Mantega, o governo pretende mudar. A ideia é explicitar o número de empregos e fiscalizar.

Já o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou ontem o conselho tripartite - governo, empresários e centrais sindicais - que vai mapear a concessão de crédito a empresas com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e FGTS. Lupi também defende que as empresas que demitirem não devem ter acesso aos recursos do FAT. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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